Foto: Fábio Motta/Agência Estado

 O presidente da Petrobras, José S. Gabrielli, o presidente Lula e o Ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, no lançamento da P-50.

Na mais veemente defesa do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, desde que ele se tornou alvo da oposição e passou a enfrentar a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, numa polêmica sobre o rumos da economia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou ontem que Palocci fica no cargo até o fim do governo. Enfático, Lula disse que ele é ?imprescindível?, é ?seu ministro da Fazenda? e está ?tranqüilo? no posto, afastando, totalmente, assim, a possibilidade de trocar o comando da área econômica. O presidente evitou desprestigiar Dilma, dizendo que times de futebol e governos precisam de ?jogadores com características diferentes?, mas, quando lhe perguntaram se Palocci ficaria no cargo até o fim do mandato, foi direto. ?Ele? Fica, fica, fica?, afirmou Lula, depois de visitar a Plataforma P-50, da Petrobras, lançada em cerimônia no Estaleiro Mauá, em Niterói, na região metropolitana do Rio.

O presidente defendeu o ministro da Fazenda depois que ele, após mais um dia de depoimento no Congresso, terça-feira, ainda parecia passível de demissão. ?Acho que não dá para a gente se deixar levar por especulações?, disse. ?Palocci é uma figura imprescindível para o Brasil. Todo mundo sabe o que o Palocci significa para a economia brasileira.? Lula também atacou com dureza a oposição, acusando-a, veladamente, de, com a ofensiva contra Palocci, tentar provocar uma crise econômica para se beneficiar politicamente.

Lula não citou nenhum partido, mas reagiu, quando lhe perguntaram se as forças oposicionistas estariam apostando ?no caos?. ?Acho que tem gente que aposta que o Brasil não deu certo?, criticou. ?Aliás, tem gente que só sabe trabalhar em cima da desgraça dos outros. Acho que as pessoas deveriam ser agradecidas pelo que o Palocci fez pela economia deste País.? Quando um jornalista lhe perguntou se preferia a chefe da Casa Civil ao ministro da Fazenda, ele respondeu: ?Veja, um time de futebol dá certo porque tem 11 jogadores com características diferentes. No governo, é a mesma coisa.?

Veemência

No discurso que fez para metalúrgicos e funcionários da Petrobras na solenidade, Lula menosprezou as denúncias contra a administração federal e voltou a afirmar que não fará mudanças na política econômica. ?Não se preocupem com as coisas que saem, os denuncismos, as brigas, não se preocupem; isso atormenta, perturba todo mundo?, afirmou. ?Agora, de uma coisa estejam certos. Quero falar para vocês como falaria para o meu filho: não haverá nenhum momento em que a eleição me faça mudar a trajetória que nós traçamos para este País. Eu demorei muito para ganhar as eleições e, quando ganhei, não pensei no meu mandato, eu estou pensando é na geração dos meus filhos e dos meus netos. Portanto, se alguém quiser não ser sério, que não seja; nós vamos continuar fazendo as coisas que estamos fazendo porque estamos convencidos de que estamos no caminho certo.?

Ministros de Lula querem candidatura já

Rio (AE) – Integrantes do governo gostariam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumisse se é ou não candidato à reeleição. Foi o que indicou ontem o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, quando questionado sobre se Lula estava em campanha, ao afirmar terça-feira que a política econômica é do governo e não do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. ?Eu gostaria que ele (Lula) definisse isso. Todos nós do governo gostaríamos. Agora, quem pode tomar essa decisão chama-se Luiz Inácio Lula da Silva?, disse.

Bernardo previu que o ?tiroteio? político, que envolveu Palocci em acusações de suposto esquema de corrupção quando foi prefeito de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, deverá estender-se até as eleições. Mas lembrou que, até o momento, as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) ainda não comprovaram nada e defendeu a atuação do ministro da Fazenda. ?Ele tem feito um trabalho extraordinário. Com certeza, a política econômica é um dos pilares de sustentação não apenas do governo, mas da economia brasileira?, disse.

O presidente, afirmou o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, tem afirmado que Palocci executa, corretamente, a política econômica e que o objetivo é manter a austeridade, mas com a preocupação de realizar investimentos e obras na área social, prioridades da administração federal. Segundo Bernardo, Lula não deixará que nenhum tipo de populismo seja praticado durante a implementação da política econômica.