A Polícia Militar de São Paulo criou “notícias positivas” e abriu licitação para dar treinamento de mídia a 160 oficiais. As medidas fazem parte da nova estratégia de comunicação da corporação para tentar melhorar sua imagem, atingida por casos de tortura, assassinatos e episódios de violência na repressão às manifestações realizadas nas ruas da capital paulista.

A corporação ainda sofre com reclamações por falta de atendimento à população, conforme mostra levantamento da Ouvidoria das Polícias. No primeiro semestre de 2014, aumentaram em 6,75% as reclamações por falta de atendimento de PMs, em relação ao mesmo período de 2013. Segundo o ex-comandante, o vereador Alvaro Camilo (PSD), antes a PM fazia treinamentos internos. De acordo com ele, é a primeira vez que a corporação destina um orçamento específico para media training dos oficiais.

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Especialistas avaliam que, diante do aumento dos índices de crime, a mudança de estratégia na comunicação da PM é apenas um paliativo. “Essas medidas têm relação com o atendimento à população. Isso faz com que o governo mude a postura”, afirmou Julio Cesar Fernandes Neves, ouvidor das Polícias de São Paulo. “É também consequência de algumas atitudes desastrosas da Polícia Militar nos últimos meses, além da atuação nos protestos”, disse.

Outros especialistas em segurança avaliam que as medidas adotadas pela comunicação da Polícia Militar tentam evitar que notícias ruins “colem” na corporação, como tem ocorrido. Em um caso recente, por exemplo, quatro PMs são suspeitos de matar em uma suposta troca de tiros os pichadores Alex Dalla Vecchia Costa, de 32 anos, e Ailton dos Santos, de 33. Eles morreram no dia 31 de julho, dentro de um prédio residencial na Mooca.

A Associação Nacional dos Jornais também divulgou recente levantamento no qual aponta que 66 jornalistas sofreram algum tipo de violência policial nos protestos que ocorreram no País desde junho do ano passado. Dois profissionais chegaram a perder a visão, após serem atingidos no olho por balas de borracha disparadas por policiais. “Isso (política de comunicação) é o que toda instituição organizada faz para mostrar o seu lado melhor. O importante é não esconder os problemas. Fazer algo positivo é o que todo mundo faz”, disse o cientista político e ex-subsecretário de Segurança Nacional Guaracy Mingardi.

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Na sessão denominada desde agosto como “notícias positivas”, a PM divulga casos corriqueiros da corporação para mais de 600 veículos de comunicação do Estado. Em um dos primeiros boletins, no dia 30 de agosto, a corporação divulgou a prisão de “nove criminosos com diversas armas na zona sul da capital”.

“A comunicação é importantíssima para qualquer um, como ocorre nas empresas. A PM atende 15 mil ocorrências por dia. É preciso pegar o que houve em cada uma dessas operações para mostrar o lado bom”, disse o coronel Alvaro Camilo.

De acordo com ele, quando um PM comete um abuso, “arranha a imagem da corporação” porque o erro policial “lida com a vida”. No entanto, Camilo disse ainda que 99% dos PMs fazem bom trabalho. O coronel foi o responsável por montar o Centro de Comunicação Social da Polícia Militar, em 2010.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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