Brasília (AE) – O PT e o aliado PTB, tido como legenda preferencial do governo, são desde ontem alvo de representações encaminhadas à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público. Em três ações separadas, o PFL, PSDB e PDT pedem a apuração do suposto acordo financeiro denunciado pela revista Veja entre os dois partidos, no valor de R$10 milhões, a título de ajuda eleitoral. Em sua representação, assinada pelo deputado Alberto Goldman (SP), o PSDB afirma que, segundo a revista, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), também teriam negociado cargos públicos nas cidades em que os candidatos petebistas foram retirados para favorecer os concorrentes do PT.

A oposição pede que, se confirmada a denúncia, seja declarada a perda da função pública dos envolvidos, com suspensão dos direitos políticos, e a cassação do registro de candidatos favorecidos pelo esquema. O presidente do PT, José Genoino, afirmou que a denúncia é “mentirosa”. “E parte de quem não quer assumir perante os meios de comunicação, de quem se esconde sob o anonimato do off para fazer ataques covardes”, acusou. “Não tem acordo financeiro nem com o PTB nem com qualquer outro partido. O acordo foi político eleitoral aonde temos alianças.”

Na avaliação do tesoureiro e diretor executivo do PFL, Saulo Queiroz, há suspeita de que a operação tenha sido acertada com recursos do caixa dois. “Ninguém vai dar dinheiro do fundo partidário para deputados dessa forma”, afirmou. “Esse dinheiro tem de ter outra origem, na verdade isso só pode ser feito por caixa dois, isso é financiamento por fora, o que desvirtua todo o processo eleitoral”, alegou. Genoino ironizou a afirmação, dizendo que “se algum partido é especialista em caixa dois, não é o PT”.

PFL e PDT encaminharam as representações ao corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já os tucanos, optaram em pedir providências ao procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. O presidente do PDT, Carlos Lupi, avalia que o esquema sugere que o PT estaria utilizando a máquina pública em proveito próprio. “A serem verdadeiras tais afirmações, lançando mão de sua condição de partido do governo, PT estaria usando a máquina administrativa como moeda de barganha político-eleitoral, em criminoso abuso que enseja a ação deste tribunal”, defendeu. Lupi disse ainda que há indícios “suficientes para aprofundar as investigações”.

Os procedimentos também se estenderão ao Congresso. O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), informou que vai propor um debate sobre a denúncia, logo que os parlamentares retornarem das campanhas eleitorais. Segundo ele, “o mais preocupante” não é o problema eleitoral mas, sim, a suspeita de que o Legislativo estaria sendo vítima de uma “relação promíscua entre partidos”. “Não acho que a denúncia seja um conto da Carochinha”, defendeu. “Aguardarei novas informações, quem sabe até de parlamentares, para iniciar o debate do episódio que logo de princípio justificaria o porquê da perda da liturgia no Parlamento.”

O deputado disse que, a princípio, não acredita que o PT esteja operando com caixa dois, mas sim com recursos arrecadados de seus filiados. Ele lembrou que, tanto se falou dessa arrecadação, que supõe ser suficiente para bancar o que o partido bem entender.