A disparada no preço da carne fez com que até o presidente Jair Bolsonaro reduzisse o consumo deste tipo de proteína. Em live no Facebook quinta-feira (26), Bolsonaro disse que determinou o consumo de carne bovina no Palácio da Alvorada apenas um dia da semana. Nos outros dias, o cardápio das refeições presidenciais têm peixe e frango.

“‘Ah, o presidente tem mordomia tem carne de graça’. Tenho carne de graça, não tenho dúvida disso, sem problema nenhum. Mas determinei aqui no Alvorada, na semana passada: carne uma vez por semana”, enfatizou o presidente no vídeo ao vivo.

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Quem não gostou da determinação foi a esposa do presidente, Michelle Bolsonaro. “Logicamente, a minha esposa mandou passar para duas vezes [o consumo de carne na semana]”, disse o presidente.

Durante a transmissão, Bolsonaro descartou a possibilidade de tabelar o preço da carne. O argumento, segundo o presidente, é de que o Brasil é um país de livre mercado. “Tabelar, isso não existe. Subsídio, criar imposto, isso não existe”, reforçou o presidente.

No pronunciamento oficial de Natal, Bolsonaro chegou a declarar “feliz Natal, mesmo sem carne para algumas pessoas”, reconhecendo que a alta do preço da carne impede o consumo para muitas pessoas.

Por que aumentou?

De setembro a dezembro, o preço da carne bovina subiu em média 50%. Só no mês de novembro, a carne foi a principal responsável pelo aumento da inflação, que ficou em 0,51%. O preço da carne bovina subiu só em novembro 8,09% e representou metade da inflação do mês.

Desde o final de 2018, os frigoríficos brasileiros aumentaram o envio de carne para China, após o país asiático ser atingido pela peste africana, doença hemorrágica causada por vírus que só atinge porcos, a principal fonte de proteína dos chineses. Desde então, aumentou em 54% a exportação de carne bovina brasileira para o mercado chinês, em 40% a de carne suína e em 48% a de frango. Com mais carne sendo exportada, quem sofre é o mercado interno brasileiro.