Belo Horizonte – O ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, descartou a possibilidade de o governo federal atender neste ano a reivindicação dos governadores tucanos, que cobram a participação dos Estados nos recursos arrecadados pela União como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Dirceu sinalizou que parte dos recursos poderão ser repassados para as unidades da Federação, mas deixou claro que o País ainda “vai ter de caminhar para isso”.

“Todos os governadores sabem que dado à situação que nós herdamos no País. É impossível, no ano de 2003, você pegar as contribuições e fazer a redistribuição dentro do pacto federativo, mas é evidente que o País vai ter de caminhar para isso”, disse o ministro, após se reunir com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o ex-governador, Itamar Franco (sem partido), na sede da Prefeitura da capital mineira.

Dirceu reafirmou sua posição depois de se encontrar com o governador Aécio Neves (PSDB), no Palácio das Mangabeiras. “Em 2003 isso não é possível, em função do ajuste fiscal e da economia”. O governador mineiro liderou a reivindicação dos tucanos por uma reforma tributária mais ampla, decidida em um encontro anteontem, em Rio Quente (GO).

Na reunião, os governadores do PSDB decidiram solicitar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se encontram amanhã, em Brasília, a edição de uma medida provisória para regulamentar a distribuição das contribuições. O ministro prometeu levar o relatório dos governadores tucanos ao presidente.

Ao lado do ministro, Aécio amenizou o tom crítico ao governo dos últimos dias e disse que Dirceu conhece as reinvindicações do Estado e que “nenhuma divergência irá alterar a disposição de ajudar neste momento”.

O ministro, por sua vez, negou que tivesse vindo a Minas para tentar impedir que o governador mineiro faça articulações para obstruir as votações de interesse do governo no Congresso.