Malan defendeu sistema de metas e
cobrou coerência dos presidenciáveis.

São Paulo

(AE) – O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que não vê com satisfação “intromissões indébitas de fora sobre o processo político brasileiro”. Ele não explicitou a quem criticava, mas a afirmação pode ser lida como uma referência à declaração do megainvestidor George Soros, que disse, em entrevista publicada no sábado pelo jornal Folha de S. Paulo, que “ou o mercado elegerá o pré-candidato José Serra ( PSDB) ou será o caos”. O ministro disse ainda que não se abala pelos resultados semanais das pesquisas de intenção de voto à medida que a pesquisa que conta é a da urna.

Pedro Malan fez coro com o discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso, feito na semana passada, de que, além do controle da inflação, o governo tucano também teve atuação social forte. De acordo com ele, é “uma tolice exemplar” dizer que a única coisa feita pelos tucanos foi a estabilidade. Repetindo também um discurso feito pelo presidenciável senador José Serra (PSDB), o ministro disse que se avançou muito no País, “mas ainda falta muito por fazer”.

Malan defendeu o sistema de metas de inflação e cobrou “coerência” dos presidenciáveis. O ministro ainda disse não ver “com satisfação certas intervenções de fora do processo político brasileiro”, referindo-se à análises de bancos e agências estrageiros sobre as eleições deste ano.

Pedro Malan afirmou ainda, ao discursar no final da manhã de ontem, que apóia a proposta do presidente do Banco Central, Arminio Fraga, de que o futuro presidente da República, assim que for eleito, converse com o presidente Fernando Henrique Cardoso, e indique um nome para ocupar uma das diretorias do Banco Central nos últimos meses deste ano para facilitar a transição entre as duas equipes. Malan disse ter preocupação que essa transição se dê da forma o mais fácil possível.

De acordo com Malan, essa indicação serviria para consolidar o processo de transição de um governo para o outro, seja quem for o novo eleito. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, foi o autor da proposta, feita a Malan. A idéia, entretanto, não foi bem recebida pelo assessor econômico de Luiz Inácio Lula da Silva, Guido Mantega. “À primeira vista me parece uma coisa complicada”, disse, referindo-se à uma possível responsabilização deste diretor pelo rumo tomado pelo atual governo. Para o economista, “o governo deveria abrir as contas e mostrar tudo da forma mais transparente possível”.