Pedro Simon: “Presidente perdeu prestígio
ao defender sua reeleição”.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso perdeu a chance de ser um `grande estadista’ ao não promover a reforma tributária. Em tom enfático, Simon utilizou seu pronunciamento no plenário do Senado para criticar Fernando Henrique, e afirmou que o presidente perdeu prestígio ao defender sua reeleição durante seu primeiro mandato. “O presidente, em um determinado momento de seu mandato, quando seu prestígio ia às alturas, preferiu falar de reeleição”, disse.

Brasília (AE e AG) – O senador Pedro Simon ainda atacou Fernando Henrique ao dizer que o presidente teria `comprado’ a reeleição. “Dizem que ele comprou até com dinheiro”, comentou. Simon afirmou que, devido à defesa da reeleição, Fernando Henrique perdeu a credibilidade para fazer as reformas tributária e política. O parlamentar fez um pronunciamento durante a discussão da proposta que prorroga a CPMF. Segundo ele, se o governo tivesse promovido a reforma tributária, não haveria a necessidade de se cobrar a CPMF.

“O governo não fez mudanças no sistema tributário porque não quis. Nunca se arrecadou tanto no Brasil como no governo de Fernando Henrique”, sustentou. À imprensa, Simon negou que o tom crítico de seu discurso tivesse relação com o fato de ele ter sido preterido na escolha do nome, pelo PMDB, do candidato à vice na chapa do presidenciável tucano José Serra. “Se eu tivesse sido escolhido, também faria o discurso. Aliás, Fernando Henrique vetou o meu nome exatamente em função desses discursos”, completou.

Sobre a escolha de seu nome para ser candidato a vice-presidente na chapa do pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Simon disse que não chegou a ser sondado pelo PT. O senador gaúcho, no entanto, defendeu um acordo entre os dois partidos. Para ele, a aliança asseguraria a vitória de Lula no primeiro turno e a governabilidade após as eleições. “Não vou ficar discutindo minha indicação para vice do PT, mas um acordo entre os dois partidos teria grandes chances” afirmou, admitindo, no entanto que essa possibilidade é apenas “um sonho”.

A seu ver, no entanto, o grupo que mais cresce no PMDB é o que defende a não-candidatura a presidente. “Se Serra, até o dia 15 não subir (nas pesquisas de opinião pública), acabou”, diz. Simon afirma que a escolha da candidata a vice-presidente, deputada Rita Camata (ES), foi feita sem que as lideranças regionais fossem ouvidas e que ainda há problemas em diversos Estados. Segundo ele, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Paraná estariam propensos a apoiar a candidatura petista.

Governabilidade

A questão da governabilidade também foi abordada ontem pelo líder do PSDB no Senado, Geraldo Melo (RN). Segundo ele, haveria um risco se o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador José Serra (SP), não fosse eleito. Em entrevista, ele negou atribuir ao pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva esse risco, mas observou que o risco se refere à implementação de mudanças dramáticas no País. Melo criticou o PT, afirmando que o partido abandonou a ideologia e hoje pensa apenas em vencer a eleição.

“A pergunta que eu faço é com que partido o Lula montaria o seu governo se vencesse a eleição”, observou Melo. “Ele terá que montar uma base partidária sem o PT”. O líder manifestou, também, sua convicção de que as resistências lideradas pelos dissidentes do PMDB à aliança com o PSDB serão superadas. “Essas resistências eram esperadas, pois o PMDB é um partido de várias correntes”, afirmou.

Ainda ontem, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) decidiu que não retornará ao Ministério da Integração Nacional nem será candidato ao governo da Paraíba. O ex-ministro divulgou a carta enviada ao presidente Fernando Henrique Cardoso comunicando sua decisão.