A quadrilha desmontada nesta terça-feira (6) pela Operação Kaspar II pode ter movimentado R$ 1 bilhão, soma de todas as operações, que envolvem instituições financeiras suíças em remessas ilegais de recursos e sonegação fiscal, segundo informações da Polícia Federal. A polícia não informou os nomes dos executivos presos, alegando segredo de Justiça. Na lista, estariam funcionários das instituições financeiras envolvidas no esquema, seis doleiros e os outros dez clientes que se beneficiavam da fraude.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Jaber Saadi, o esquema desmontado pela Operação Kaspar II pode ser considerado um refinamento das fraudes descobertas pela Operação Suíça, deflagrada em 2003, e Kaspar I, ocorrida em abril deste ano e que envolveu o Credit Suisse. Segundo o superintendente, os presos são gerentes das instituições financeiras na Suíça e vinham ao Brasil trimestralmente para visitar clientes.

A fraude funcionava da seguinte forma: em vez de fazer a remessa diretamente ao exterior, o cliente fazia um depósito em uma conta de um doleiro no Brasil. O doleiro, por sua vez, movimentava, por outra conta, localizada no exterior, uma quantia com o mesmo valor diretamente para a instituição financeira, numa espécie de triangulação chamada de operação dólar-cabo. "Não conseguimos obter apoio da Suíça na quebra do sigilo dessas contas porque a evasão de divisas não é crime naquele país. Inclusive, as autoridades têm dificultado o nosso trabalho", disse o delegado, Ricardo Saadi, chefe da Operação Kaspar II.

De acordo com o delegado, as contas no exterior eram utilizadas para realização de compras de mercadorias subfaturadas nos Estados Unidos e na China. Mensalmente, a polícia estima que a quadrilha movimentava entre R$ 6 e R$ 7 milhões. Nas operações desta terça-feira foram apreendidos R$ 6 milhões em espécie e entre US$ 600 mil e US$ 700 mil. Também foram bloqueados R$ 2 milhões em contas.