Milhares de notas fiscais frias teriam sido usadas pelo empresário Marcos Valério de Souza para justificar a movimentação financeira de suas agências de publicidade DNA e SMP&B. A suspeita é da Polícia Federal (PF), após ouvir o depoimento do contador do empresário, Marco Antonio Prata, no dia 16 de novembro.

De acordo com a PF, Marcos Valério emitia notas sem controle e sem fiscalização do contador. No depoimento, segundo a PF, o contador disse que apenas assinava as notas e se negou a dar qualquer detalhe, dizendo que não era ele quem preenchia e que não sabia do conteúdo dessas notas.

Marco Antonio contou que existiram duas contabilidades nas empresas de Marcos Valério. A primeira foi encerrada no dia 29 de abril deste ano, data de entrega do Imposto de Renda. A partir desta data, uma nova contabilidade teria sido feita incluindo movimentações financeiras que não constavam na anterior. Entre as movimentações, estaria o dinheiro repassado ao PT. Os documentos contábeis das empresas de Marcos Valério já estão em posse da Polícia Federal.

De acordo com a polícia, o contador não soube dar explicações aos questionamentos do delegado responsável pelo caso, Luis Flavio Zampronha. A polícia ressalta que, se for comprovada a utilização das empresas para o crime de lavagem de dinheiro, o contador deve ser indiciado junto com Marcos Valério.

Ainda no começo das investigações, vários documentos das empresas foram queimados. No depoimento, o contador disse que quem queimou foi sua empregada porque ela quis, informou a polícia.

Na época, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva de Marco Antonio. Mas, de acordo com a polícia, o Supremo não se pronunciou.