Edivaldo Santiago: dinheiro do patrão
para fazer greve de ônibus.

São Paulo

– A Polícia Federal prendeu ontem pela manhã o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo, Edivaldo Santiago, e outros oito diretores. Outros dois diretores se apresentaram horas depois. Foi decretada a prisão preventiva de 17 pessoas ligadas à entidade. Os sindicalistas são acusados de receber propina de até R$ 1,5 milhão por greve e de envolvimento de diretores em assassinatos.

A ação ocorreu no dia considerado teste de fogo para o novo sistema de linhas de ônibus na capital, algo que a prefeita Marta Suplicy chamou de “uma coincidência interessante”. Edivaldo foi detido em sua casa, no Campo Limpo. No local, os agentes apreenderam armas, que estavam com três homens que faziam a segurança do sindicalista. Segundo a PF apurou, a proteção era bancada pela Viação Campo Belo. No início da tarde, o diretor jurídico, Geraldo Diniz, se entregou à Polícia Federal. Duas horas depois, Jorge Luiz de Jesus, conhecido por “Febem”, também se entregou.

Outros oito diretores do sindicato estão com prisão temporária decretada. Se não se apresentarem em cinco dias, a PF pretende pedir prisão preventiva dos sindicalistas. Três promotores e uma equipe de policiais federais iniciaram às 7 horas uma blitz na sede da entidade, na Liberdade, região central da capital paulista. O objetivo da missão é apreender documentos e computadores que ajudem na investigação das denúncias de locaute e crimes de homicídios cometidos por diretores do sindicato. A segurança na sede da entidade, onde estão concentrados pelo menos 30 motoristas e cobradores, é feita por dez policiais militares. Na zona leste, outros trabalhadores desempregados provocaram tumulto na Viação Capital, na região do Tatuapé.

A mudança das linhas de ônibus não causou grandes tumultos nos principais terminais da capital. Foram registrados atrasos e filas. O maior problema foi a falta de informação sobre as mudanças. Segundo informações da São Paulo Transportes (SPTrans) foram notificadas apenas quatro ocorrências graves no sistema de transporte público, em função do cancelamento das 226 linhas. Outros oito casos foram resolvidos de imediato.

Segundo o diretor de Operações da SPTrans, Maurício Phesin, as linhas com maior problema foram Jardim Paulo VI-Santo Amaro e Jardim Umarizal-Socorro, cujos ônibus do tipo bairro a bairro foram impedidos de circular por perueiros clandestinos. Os perueiros também protestaram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, zona oeste.