Foto: Agência Senado

Roseana Sarney: flagrada numa ?infidelidade explícita?.

A Executiva Nacional do PFL abriu ontem processo disciplinar contra a candidata a governador do Maranhão Roseana Sarney (PFL) por ela ter declarado apoio público à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da coligação A Força do Povo (PT-PRB-PC do B), contra o candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB), da coligação Por um Brasil Decente (PSDB-PFL). A candidatura de Alckmin tem como vice José Jorge, senador do PFL do Pernambuco.  

A candidatura de Roseana a governador, no entanto, não corre risco porque ela não será punida antes do segundo turno das eleições, no dia 29. Roseana ainda será informada do processo pela direção nacional e só então começará a correr o prazo de oito dias para que ela e o diretório regional do partido, que acompanhou a posição, apresentem as defesas.

Como não havia tempo para tentar lhe cassar a legenda antes do segundo turno da eleição, os dirigentes mais irritados com a ?infidelidade explícita? de Roseana decidiram nem falar em expulsão agora. ?Não queremos transformá-la em vítima?, justificou um deles. A avaliação de boa parte da direção da sigla é a de que só não haverá punição porque a candidata da coligação Maranhão – A Força do Povo 1 a governador está de malas prontas para mudar de agremiação, filiando-se ao PMDB do pai, o senador José Sarney (AP).

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que, na semana passada, indicara a porta de saída como o melhor caminho para os que divergem da candidatura presidencial do partido, deixou clara a insatisfação. ?Não estou preocupado com a eleição do Maranhão, que, para mim, não tem o menor interesse?, disse, sobre a repercussão do processo disciplinar na disputa maranhense. ?O que me interessa é a eleição nacional e eu apoio Alckmin com muita honra?, completou, ao lembrar que tanto Roseana como o candidato a governador Jackson Lago (PDT), declararam voto a Lula.

Apesar do clima de constrangimento que dominou a reunião da executiva, porém, o senador Edison Lobão (PFL-MA), que pertence ao grupo Sarney, insiste em apostar que nada acontecerá com Roseana além de uma advertência. O raciocínio, neste caso, é o de que a candidata tentou o quanto pôde montar uma composição com o PSDB maranhense e foi rejeitada.

Lobão lembrou que o presidente do PSDB local, deputado Sebastião Madeira, declarou que preferia beber cicuta a apoiar Roseana. O senador do PFL do Maranhão citou também o fato de o candidato a coligação Por um Brasil Decente a presidente ter visitado o Maranhão esta semana para declarar apoio a Lago na corrida estadual. Isto tudo, de acordo com Lobão, são atenuantes que o relator do processo nomeado ontem, deputado Eduardo Sciarra (PFL-PR), terá de considerar no parecer.

Independentemente do resultado da eleição e do processo disciplinar, prevalece na direção pefelista o entendimento de que o desfecho mais provável é o da filiação de Roseana ao PMDB.