Brasília (AE) – O PL adiou para a próxima terça-feira reunião na qual deverá definir se vai assumir uma posição de neutralidade e liberar a bancada para apoiar candidatos à Presidência da República, ou se formalizará aliança com o PT. De acordo com o deputado Bispo Rodrigues (RJ), a tendência do partido é pela neutralidade.

O senador José Alencar (MG), cortejado pelo PT para ser vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a coligação com o PT. Ele disse que o PL tem de buscar superar as dificuldades regionais a fim de favorecer o que chamou de “interesse nacional” por uma candidatura cujo símbolo é a sensibilidade, numa referência a Lula.

As maiores dificuldades de uma aliança do PL com o PT estão em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Amazonas. “Receberei o convite de ser vice do Lula com muita honra, se isso ocorrer depois da decisão da convenção do PL, marcada para o próximo dia 23”, disse José Alencar.

Pressão

Além de minar a base do tucano José Serra, a recente aproximação entre PT e oposicionistas do PMDB pode trazer uma vantagem extra à pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo integrantes da cúpula petista: a pressão sobre o PL, que há meses esbarra em resistências internas para decidir apoiar Lula. As negociações entre liberais e petistas estão estacionadas há semanas, devido às resistências impostas por líderes regionais do PL em alguns Estados e representantes da Igreja Universal do Reino de Deus, que preferem o pré-candidato evangélico Anthony Garotinho (PSB).

Na terça-feira, o presidente nacional do PT, José Dirceu voltou a conversar com o senador José Alencar, nome mais cotado para ser candidato a vice de Lula até o anúncio do namoro entre petistas e peemedebistas descontentes. – Está tudo do mesmo jeito – disse Dirceu.

Embora seja remota a possibilidade de o PMDB vir a apoiar oficialmente a candidatura de Lula, petistas e peemedebistas têm acenado com a possibilidade de o senador Pedro Simon (RS) ser o candidato a vice de Lula.

Integrantes da cúpula do PT como o pré-candidato a governador de São Paulo, José Genoino, apostam que a especulação em torno do nome de Simon desencadeie uma crise de insegurança entre os liberais e arrefeça as resistências à coligação com o PT. José Dirceu, no entanto, afirma que o flerte com o PMDB não tem o objetivo de pressionar o PL. – Estamos conversando para consolidar uma coligação formal entre PT e PMDB. O que mais acontecer é subproduto – disse Dirceu.

Decisão

O líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha (SP), afirma que a decisão não será unilateral. – Se houver coligação, a escolha do vice será conjunta, de todos os partidos – disse. Dirceu e Cunha divergem de Genoino em outra questão. O presidente e o líder da bancada na Câmara defendem enfaticamente a realização de coligações informais nos Estados onde houver interesse.

Já o pré-candidato ao governo paulista descarta totalmente essa possibilidade. – Em primeiro lugar, o PMDB nunca deixaria de lançar candidato ao governo de São Paulo porque isso prejudicaria os candidatos a deputado federal e estadual. Além disso, não ganharíamos nada com uma coligação informal pois não poderíamos contar com o tempo deles na TV nem com o coeficiente eleitoral – disse Genoino. Dirceu acha o contrário. – Não é preciso deixar de lançar candidato a governador para fazer aliança informal. Basta lançar um candidato apenas para marcar posição. Será assim em todo o Brasil. A legislação eleitoral permite – afirmou Dirceu.