A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota afirmando que foi Waldir Pires – substituído no cargo de ministro da Defesa por Nelson Jobim – quem tomou a iniciativa de pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser exonerado do cargo. A divulgação da nota é o último lance de uma seqüência de informações desencontradas divulgadas pelo Palácio do Planalto sobre as circunstâncias da saída de Pires do cargo, no décimo mês da crise no setor aéreo.

Nesta quarta-feira de manhã, assessores da Secretaria de Comunicação disseram à imprensa que foi Pires quem entregou o cargo. Depois, corrigiram a informação e afirmaram que o presidente Lula é que havia pedido a Pires que entregasse o cargo. Em seguida, o porta-voz oficial, Marcelo Baumbach, deu entrevista aos jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto e repetiu a versão de que Lula havia pedido a Pires o cargo. No meio da tarde, pouco antes da posse de Nelson Jobim em substituição a Pires, assessores da Secretaria de Comunicação disseram que, na verdade Pires é que havia tomado a iniciativa de entregar o cargo, para não dar a idéia de uma "ruptura institucional".

E a nota oficial afirma: "De acordo com informações recebidas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o porta-voz Marcelo Baumbach anunciou, nesta manhã, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu o cargo ao ex-ministro da Defesa, Waldir Pires. A informação correta é que Waldir Pires solicitou a sua exoneração ao Presidente, a qual será formalizada nesta quinta-feira (26/7), no Diário Oficial da União (DOU).

Nos últimos dias, havia um certo constrangimento dentro do governo pelo fato de Pires de não ter pedido demissão, mesmo depois de ter a crise aérea atingido o seu auge com o acidente em que um Airbus da TAM explodiu ao tentar pousar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, causando a morte de mais de 190 pessoas.