São Paulo – Milhares de sem-teto deixaram ontem de manhã o terreno da Volkswagen em São Bernardo do Campo, que ocupavam desde o dia 20 de julho. Segundo o movimento dos sem-teto de São Paulo, cerca de 7 mil pessoas, das quais 3 mil crianças, ocupavam a área. A desocupação, decidida pela justiça, começou por volta das 9h, ocorreu sem confronto com a polícia. No entanto, alguns dos sem-teto revoltados com a reintegração, resolveram atear fogo aos barracos de madeira, causando focos de incêndio. Um botijão de gás explodiu, assustando os presentes, mas ninguém ficou ferido.

Para se protegerem de uma eventual invasão policial, no início da manhã, crianças e mulheres grávidas foram reunidas em uma barraca no centro do acampamento. Outras mulheres fizeram um cordão humano em torno da barraca, enquanto os homens se posicionaram ao lado da cerca do terreno, na parte interna, criando um outro cordão humano. O comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar, coronel Thomaz Alves Cangerana, disse que não negociaria com os sem-teto. “Não é o primeiro nem o último caso desses”, explicou. A operação da PM contou com 50 viaturas, 500 policiais e 30 cães. Agentes da Força Tática e das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) também foram envolvidos na ação. A Polícia Militar de São Paulo já tinha se posicionado desde o fim da madrugada em frente ao terreno para cumprir a reintegração de posse. Os sem-teto foram levados, em ônibus da Volkswagen, para um ginásio em São Bernardo cedido por uma igreja.

A advogada do movimento, Camila Alves, afirmou que não havia recebido nenhuma notificação da Justiça informando sobre a reintegração, decidida pelo 1º Tribunal de Alçada Civil. Antes de decidirem deixar o terreno, lideranças dos sem-teto haviam afirmado que iriam resisitir, tentando evitar conflitos. O deputado estadual Renato Simões (PT), o advogado Ariel de Castro Alves, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e lideranças do movimento tentaram negociar com a PM uma saída pacífica para a situação. Durante a madrugada, a PM realizou uma vistoria na região. Segundo a polícia, uma pessoa com uma pistola 380 foi detida tentando entrar no acampamento. Outras pessoas que estavam com armas brancas, como facas e pedaços de madeira, também foram abordadas.

A reintegração de posse foi concedida pela juíza da 4.ª Vara Civil de São Bernardo do Campo, Maria de Fátima dos Santos. No último dia 28, o juiz Roque Mesquita, da 3.ª Câmara do Tribunal de Alçada Civil, concedeu efeito suspensivo da decisão da juíza.