O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), confirmou que o partido deve manter o acordo com o PT, pelo qual os partidos de maior bancada na Câmara (PT) e no Senado (PMDB) escolhem o presidente de cada uma das duas Casas.

Temer, que deu entrevista após reunião da cúpula peemedebista, disse que só espera a confirmação do presidente petista, deputado José Genoíno (SP), de que o PT vai respeitar a indicação que a bancada peemedebista fizer para o cargo de presidente do Senado.

“Reiterada essa disposição (pelo PT), não há dúvida de que manteremos o acordo”, disse Temer. Segundo ele, o acordo com o PT é de natureza congressual e não envolve cargos de segundo e terceiro escalões.

Temas

A ampliação da base de apoio ao Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a eleição das novas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, o acordo com o PMDB, e a votação das reformas que o Governo pretende encaminhar ao Congresso Nacional foram os temas da reunião. O encontro começou bem cedo, às 7h da manhã, no gabinete do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Estiveram presentes o presidente nacional do PT, José Genoíno; o deputado João Paulo (SP), indicado pelo partido para a presidência da Câmara nas próximas eleições; o futuro líder do governo no Congresso e no Senado, Aloízio Mercadante e o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA).

Atualmente a base de apoio ao Governo Lula possui entre 230 e 250 parlamentares na Câmara. Mas para aprovar as reformas da Previdência e Tributária, consideradas prioritárias para o Governo, serão necessários 308 votos. Garantir o apoio às propostas do Governo será um trabalho dos líderes do partido na Câmara e no Senado.

Sobre a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino, afirmou que o partido não veta nenhum candidato que venha a ser escolhido pelo PMDB. “Eu sou defensor de que o PMDB deva participar da base de sustentação do Governo. Agora, o PMDB está em um processo de disputa interna e essa disputa tem impedido que o Partido possa falar de forma unitária. Então, quando o PMDB resolver isso acho que a gente pode retomar a discussão sobre a participação do Partido na base do Governo”. Na saída da reunião os líderes do PT reafirmaram o acordo com o PMDB para garantir a eleição do deputado João Paulo para a presidência da Câmara e de apoiar o nome que a bancada peemedebista indicar para a presidência do Senado.

Partido admite criar bloco

Brasília

(AE) – O PT quer evitar que o PMDB se junte ao PSDB e PFL para montar um bloco de oposição na Câmara. Caso isso ocorra, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaça fazer um bloco governista. Pelas contas do PT, os aliados de Lula poderiam reunir 230 deputados filiados a partidos que apoiaram o presidente no segundo turno, sem contar os dissidentes do PMDB e do PPB.

“Levando em conta os parlamentares que apoiaram Lula nos Estados, teríamos maioria absoluta, ou seja, uma base de 257 deputados”, previu o presidente do PT , deputado José Genoíno (SP), depois da reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no Palácio do Planalto. Nas estimativas esse número poderia chegar a 300 parlamentares. Os petistas avaliam que não interessa também ao PMDB, um partido dividido, integrar um eventual bloco entre PFL e PSDB. Pelo regimento, para participar de num bloco o partido precisa do aval de metade mais um de seus representantes na Câmara e Senado.

Pelos números da eleição de outubro, um bloco entre PSDB e PFL reuniria 155 deputados. Mas se o PMDB, que tem 74 parlamentares, decidir por esse bloco, o PT reagruparia, em contrapartida, os governistas que hoje somam 229 deputados, um número superior às bancadas do PSDB, PMDB e PFL. “Se for para alterar a correlação de forças na Câmara, faremos um bloco majoritário”, disse o líder do PT, deputado Nelson Pellegrino (BA).

Calheiros elogia acordo

São Paulo

(AE) – O acordo entre PMDB e PT é o “primeiro grande passo para uma relação mais definitiva, mais duradoura”, que, além de garantir a governabilidade no Congresso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, definirá uma agenda de mudanças no País. A avaliação é do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Calheiros disse que, se depender do partido, o pacto com os petistas será “totalmente cumprido”.

Ele disse que o PMDB não cogita participar do governo Lula, mantendo os cargos que ocupava em escalões inferiores da administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A legenda, porém, quer formalizar o acordo com o PT num documento. “Não deve haver dúvida. É importante que esse acordo seja melhor detalhado para dirimir dúvidas”, disse, explicando que esse é o desejo peemedebista.

Confirmado o pacto entre as duas siglas, Calheiros deverá ser o escolhido pela bancada do PMDB como novo presidente do Congresso, enquanto o PT definirá a presidência da Câmara. O líder do PMDB no Senado descarta o risco de a candidatura avulsa do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP) ameaçar a indicação dele.

“O acordo (com o PT) descarta a hipótese da candidatura avulsa preponderar no plenário. Isso não acontecerá porque não interessa a ninguém”, afirmou. Dos 20 senadores da bancada do PMDB, Calheiros dá como certo o apoio de 15.