Policiais da 58.ª Delegacia de Polícia (Nova Iguaçu) farão vistoria no Centro de Controle de Operações da Supervia, concessionária do transporte ferroviário no Rio de Janeiro, na segunda-feira. A intenção do delegado Fábio Pacífico é esclarecer a informação de que o trem que estava em teste invadiu a linha da composição de passageiros porque precisava ultrapassar um vagão de manutenção que estava nos trilhos. O trem em teste não conseguiu voltar a tempo para a linha em que trafegava e acabou abalroado pelo trem de passageiros. O acidente deixou oito mortos e 101 feridos.

Para o engenheiro de transportes Fernando Macdowell, consultor do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), está claro que houve um erro de cálculo do Centro de Controle de Operações. "Quando os trens partem, todas as possibilidades têm de ser levadas em consideração. Até o de um deles quebrar na pista. A outra composição tem que ter margem de segurança para parar a tempo de evitar um acidente. Se o trem em testes estava voltando para o trilho é porque os controladores acreditavam que daria tempo. Ou seja, o cálculo não estava correto", afirmou o especialista, que foi o responsável pela implantação do metrô no Rio.

Macdowell ressaltou que nada pode ser feito de improviso na linha férrea. Nem mesmo um reparo de emergência. "Vamos exagerar: se fosse necessário fazer um conserto nos trilhos para evitar o descarrilamento do trem, ainda assim é preferível parar a linha toda".

Identificação

Hoje, cerca de 300 pessoas acompanharam no início da manhã o enterro do estudante Renan Pedrosa Moreira, de 18 anos, um dos oito mortos no acidente.

Também neste sábado, foram identificados outros dois corpos de vítimas. Os enterros de Heleno Paiva Costa, de 21 anos, e José Marcelino da Silva, de 65, estavam previstos para hoje. O maquinista de uma das composições, Wellington da Rocha, continua internado em estado grave num hospital de Duque de Caxias, na Baixada. Ele sofreu trauma na medula.