Brasília – Mais de cem policiais e oito servidores da Previdência Social estão mobilizados nesta sexta-feira (25), em Governador Valadares (MG), na Operação Hemostasia.

O objetivo é prender sete pessoas, acusadas de integrar uma quadrilha especializada em fraudes previdenciárias, além de cumprir 27 mandados de busca e apreensão.

Segundo a Polícia Federal, em comunicado enviado à imprensa nesta manhã, as investigações vinham sendo informadas diretamente à Justiça Federal no município. Conforme a acareação, o bando estaria relacionado com o assassinato da médica-perita Maria Cristina de Souza Felipe da Silva, em setembro de 2006.

O homicídio teria sido comandado, segundo as investigações, pelo núcleo central da quadrilha, formado também por médicos-peritos da Previdência Social, despachantes, agenciadores e médicos particulares. A fraude era feita por meio da concessão irregular de benefícios por incapacidade, auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

O esquema, segundo a PF, existia desde o ano 2000. Para receber os benefícios, bastava pagar aos integrantes da quadrilha. Para ganhar os atestados, a perícia médica do requerente era redirecionada a um médico-perito que participava do esquema.

Levantamentos iniciais da PF mostram que a organização criminosa concedeu mais de 10 mil benefícios, que podem ter causado à Previdência prejuízos superiores a R$ 10 milhões.

A Justiça Federal em Governador Valadares já condenou o mandante do assassinato de Maria Cristina de Souza Felipe da Silva, o médico-perito Milson de Souza Brige, e o executor, José Alves de Souza, o Zuza, agenciador informal de benefícios previdenciários. Ambos cumprem pena atualmente.

Hemostasia é um mecanismo do próprio corpo humano para coibir hemorragias. Com esse nome, a operação faz alusão ao "estancamento" da perda de dinheiro público.