São Paulo (AE) – A Polícia Federal (PF) quer o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) atrás das grades. Em dossiê de 1.214 páginas, que inclui transcrição de diálogos telefônicos mantidos por Maluf em junho e julho, a PF sustenta que ele tem agido, intensamente, para destruir e ocultar provas relacionadas a uma investigação sobre depósitos que somam US$ 160 milhões em Nova York. A soma da qual Maluf é o maior beneficiário, segundo a PF, teria sido desviada dos cofres públicos de São Paulo.

No último domingo, a PF requereu à Justiça Federal decretação da prisão preventiva de Maluf, de seu filho mais velho, Flávio, e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. A PF quer fazer busca e apreensão na casa e nas empresas de Maluf e dos outros investigados. A Justiça ainda não autorizou. Aguarda parecer da Procuradoria da República.

?A liberdade dos representados (Maluf, Flávio e Pitta) oferece risco à tramitação da investigação, ante os indícios e materialidade das ameaças e ofertas generosas em troca de falsos depoimentos ou ocultação de provas necessárias à conclusão do feito?, destacou o delegado Protógenes Queiroz, que preside inquérito sobre evasão de divisas, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, corrupção e crime contra o sistema financeiro.

Segundo o delegado, os investigados causam ?tramitação tormentosa do inquérito policial, tornando-se imprescindível a prisão?. Queiroz anotou que entre os crimes já indicados, alguns são considerados como de extrema gravidade e causadores de repulsa social, é inegável o tráfico de influência aliado ao poder de intimidação. O delegado revela estar impressionado com os métodos adotados por Maluf e os outros investigados.