Dois dos cabeças da quadrilha que fraudava a Petrobras foram presos sem resistência nas primeiras horas desta manhã no Hotel Gran Bittar, no Setor Hoteleiro Norte de Brasília. Wladimir Pereira Gomes e Fernando da Cunha Sterea foram seguidos pela PF desde que chegaram ao aeroporto de Brasília, na noite de ontem, e receberam voz de prisão antes do café da manhã, pouco depois das 6 horas. Os dois serão transferidos amanhã para o Rio, onde serão interrogados pelo delegado encarregado do inquérito, Cláudio Nogueira.

Em relatório, a PF define Sterea como corrupto patológico "extremamente ganancioso e disposto a lançar mal de qualquer alternativa para obter vantagem patrimonial". Wladimir é descrito como "outro líder da quadrilha com desabrida personalidade voltada para o crime". No momento da prisão, eles disseram que vieram ter contatos previamente agendados com autoridades do INSS e da área previdenciária do governo. O Ministério da Previdência e a Presidência do INSS informaram que não havia qualquer compromisso de agenda de nenhuma autoridade com os dois.

A operação Águas Profundas, uma alusão à marca de excelência da Petrobras na exploração de petróleo em condições extremas, abre a caixa preta de um dos focos de corrupção mais antigos e insondáveis do País. A quadrilha, cuja atuação começou em 2003, com a criação da offshore Angraporto, atravessou incólume todo o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e continuava agindo livremente neste segundo mandato.

A PF acredita que a quadrilha seja a ponta de um mega esquema de fraudes, pois envolve licitações para bens e serviços de plataformas de exploração petrolíferas em águas profundas, como a P-22, a P-10 e a P-14. Algumas dessas plataformas custam bilhões de dólares e os bens e serviços adquiridos para sua operação e manutenção são orçados em muitos dezenas e até centenas de milhões de dólares.

O volume de recursos desviado pela quadrilha ainda é uma incógnita, mas o delegado tem um palpite: "É muito, muito dinheiro", disse ele. A quantificação do rombo começa agora com as perícias sobre documentos, planilhas, cópias de contratos, computadores e materiais apreendidos na operação. Todo o material será periciado no Instituto Nacional de Criminalística (INC).

Envolvidos

O Ministério Público Federal divulgou relação com nomes de 18 pessoas que estariam envolvidas no esquema de fraudes. Os réus irão responder, de acordo com a participação de cada um, pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, falsidade documental e estelionato, afirma a nota.

Segundo o procurador da República, Carlos Alberto Aguiar, autor da denúncia criminal, um dos esquemas funcionava com o repasse de informações privilegiadas, por parte de funcionários da Petrobras, para fraudar licitações viciadas em favor da empresa Angraporto Offshore. Empresas como a Iesa e a Mauá Jurong também se associaram à Angraporto e teriam fraudado as licitações envolvendo as plataforma P-14 e P-16, afirma o MPF, em comunicado.

Segundo nota do MPF, além das duas prisões já realizadas, estão com prisão preventiva decretada: Mauro Luiz Soares Zamprogno, Simon Matthew Clayton, Ruy Castanheira de Souza, Carlos Heleno Netto Barbosa, Carlos Alberto Pereira Feitosa, Romulo Miguel de Morais, Sergio Fernandes Granja, Ricardo Secco, Jose Augusto Barbosa Reis, Ana Celeste Alves Bessa, Claudio Valente Scultori da Silva, Felipe Pereira das Neves Castanheira de Souza, Laudezir Carvalho de Azevedo, Hilário dos Santos Mattos, Wilson Ribeiro Diniz e Ricardo Moritz.

Além disso, foram denunciados: Carlos Roberto Velasco, Paulo Cesar Petersen Magioli, Valdir Lima Carneiro, Aurélio Gonçalves Marques, Rodolfo Barbosa Brandão da Costa, Paulo José Freitas de Oliveira, Antônio Carlos Vargas e José Antonio Vilanueva.