A Polícia Federal prendeu preventivamente sete suspeitos de participação na fraude que colocou a estatal federal Companhia Térmica de Geração de Energia Elétrica (CGTEE) como avalista de empréstimos tomados por empresas privadas do banco alemão Kreditanstalt fur Wiederaufbau (KfW), nesta quarta-feira (21), em Porto Alegre, numa operação denominada Curto-circuito.

Como subsidiária da Eletrobrás, a CGTEE é impedida por lei de oferecer garantias a financiamentos captados pela iniciativa privada. Além de irregulares, os avais eram falsos. Os documentos foram montados sem conhecimento da diretoria da empresa e contêm assinaturas falsificadas do diretor financeiro e de relações com o mercado, Clóvis Ilgenfritz da Silva, um amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O caso foi descoberto em maio, quando o presidente da CGTEE, Sereno Chaise, foi procurado por representantes do banco alemão que tentavam cobrar uma dívida não paga pela Usina Termoelétrica Winimport S.A., de São José dos Pinhais (PR). Dizendo-se surpresa, a diretoria da estatal passou a investigar o caso e descobriu que além de quatro avais para a Winimport também aparecia como garantidora de financiamentos tomados pela Hamburgo Energia e Participações para a construção de usinas de biomassa no Rio Grande do Sul. No total, havia 12 contratos no valor de 157 milhões de euros (cerca de R$ 410 milhões).

Depois de uma sindicância interna e de laudos periciais que confirmaram a falsificação de assinaturas, a CGTEE pediu a investigação da Polícia Federal e encaminhou à Justiça uma ação declaratória de nulidade das pretensas garantias. A empresa não chegou a fazer desembolsos e não sofreu prejuízos financeiros.