A Polícia Civil de Pernambuco afirmou hoje que os fragmentos de um corpo encontrados em uma casa em Olinda (PE) são de uma das três mulheres mortas pelo trio preso em Garanhuns (PE) sob suspeita de assassinar, esquartejar e comer a carne das suas vítimas.

Segundo o delegado de homicídios de Olinda, Paulo Berenguer, exames de DNA comprovaram que os ossos são de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17, morta provavelmente em maio de 2008.

A adolescente, disse Berenguer, foi assassinada com um golpes de faca no pescoço e retalhada. Seu sangue foi extraído e a pele, arrancada.
Ainda de acordo com o delegado, os suspeitos disseram que fatiaram partes do corpo e, no dia seguinte, comeram a carne grelhada, temperada com sal e cominho.

A filha da vítima, à época com um ano de idade, também comeu a carne da própria mãe, oferecida pelo trio, segundo depoimentos dos suspeitos à polícia.
Após o crime, a menina foi registrada como sendo filha de dois dos envolvidos no caso, Jorge Negromonte da Silveira, 51, e Isabel Cristina Torreão Pires da Silveira, 51.

A terceira suspeita, Bruna Cristina Oliveira da Silva, 25, amante de Jorge, assumiu a identidade da adolescente, usando uma certidão de nascimento da vítima.
Jorge também possuía uma identidade falsa, em nome de um irmão, que teria sido usada para sacar ilegalmente R$ 71 mil que estavam guardados em um banco.

Após a morte de Jéssica, disse o delegado, o trio fugiu com a criança para a Paraíba. Antes, desenterraram as partes do corpo, dispostas em forma de cruz no quintal da casa, e jogaram no lixo.

Alguns fragmentos, como dedos e ossos dos ombros, ainda foram encontrados enterrados na varanda e emparedados, entre tijolos.
Vídeos gravados pela polícia mostram os suspeitos indicando os locais onde haviam enterrado a adolescente, e os peritos recolhendo os restos nos mesmos pontos.

O trio retornou a Pernambuco anos depois e foi viver em Garanhuns. Na cidade, teriam assassinado mais duas mulheres, após atraí-las com promessa de emprego.

Em abril, os corpos mutilados de Giselle Helena da Silva, 31, e Alexandra da Silva Falcão, 20, foram encontrados enterrados no quintal da casa onde o grupo vivia.
Interrogados, os três confessaram os crimes. Isabel disse ainda que recheou empadinhas com carne humana e vendeu os salgadinhos na rua, por R$ 1 cada um.

Segundo o delegado, eles afirmaram que pertenciam a uma seita, o “cartel”, que matava mulheres para controlar a população, e que comia a carne delas como ritual de purificação. Nenhum outro suposto integrante da seita foi encontrado.
As investigações também concluíram que não há mais vítimas do grupo em Pernambuco. Sete casos foram apurados.

Três pessoas foram encontradas vivas e, em um caso de homicídio, o acusado foi inocentado. A polícia da Paraíba ainda investiga o desaparecimento de uma mulher.

O casal e a amante foram indiciados em dois inquéritos policiais, sob suspeita de cometer os três homicídios.

O grupo responderá também por possível envolvimento em outros crimes, como o uso de documentos falsos.
Jorge, Isabel e Bruna estão presos. A reportagem não conseguiu identificar seus advogados.