Fortaleza (AE) – Passado mais de um mês depois de serem roubados R$ 164.755.150,00 do cofre da agência do Banco Central de Fortaleza a polícia recuperou pouco mais de R$ 6 milhões (3,7%) e apenas três pessoas estão presas. Uma das teses dos serviços de segurança da polícia cearense é a de que bandidos do Ceará teriam sido arregimentados especialmente para a execução da ação considerada a maior do Brasil contra bancos, e não para o planejamento do plano. Os assaltantes do Ceará teriam sido apenas o braço operacional do golpe.

Mesmo tendo deixado rastros, também não se sabe o paradeiro de Paulo Sérgio de Sousa, nome falso da pessoa apontada como líder da quadrilha que teve como base principal a casa de número 1071 da Rua 25 de Março, no centro de Fortaleza. Na residência foi montada a empresa de fachada ?Grama Sintética? ponto de partida do túnel por onde foi levado o dinheiro furtado no primeiro final de semana de agosto.

O inquérito policial, presidido pelo delegado federal Luiz Wagner Sales, encontra-se sob segredo de justiça. Ele disse apenas que as investigações continuam. Permanecem presos na carceragem da Polícia Federal, em Fortaleza, o dono da transportadora ?JE Transportes?, José Charles de Morais, e os donos da revenda de automóveis ?Brilhe Car?, os irmãos Dermival e José Elizomarte Fernandes Vieira. Os advogados deles entraram com um pedido de habeas corpus na 5.ª Região do Tribunal Federal, em Recife, que deverá ser julgado a qualquer momento.

A PF também pediu a prisão preventiva de mais quatro pessoas suspeitas. Uma delas seria Antônio Jussivan Alves dos Santos, o ?Alemão?. Também são suspeitos de envolvimento com o roubo Edgar Resende, o ?Denis?, apontado como o responsável pela ligação com o chefe de uma quadrilha paulista; Marcos Rogério Machado de Morais, o ?Rogério Bocão?, irmão do empresário Charles Morais; Antônio Artênio da Cruz, o ?Bode? e Robson de Sousa Almeida. Os três últimos são naturais de Boa Viagem, interior cearense, e são apontados pela polícia do Ceará de participarem do assalto à empresa de segurança privada Corpvs, em 1999, quando foram roubados R$ 6,9 milhões.

Marcos Rogério morava há pelo menos quatro anos na casa dúplex 1109, da avenida Pinto Bandeira, no bairro Luciano Cavalcante, considerado de classe média alta de Fortaleza. De acordo com as investigações da PF, teria sido lá que parte da quadrilha fez a ?partilha? do dinheiro furtado do BC, no sábado à tarde, no dia seis de agosto, antes da fuga. Segundo testemunhas, Marcos Rogério costumava viajar de duas a três vezes por mês para São Paulo.

De acordo com um oficial da PM do Ceará, que preferiu não se identificar, em ações como esta do BC de Fortaleza, não há quadrilhas formadas, mas bandos que se aproximam para determinada ação a partir de suas especialidades. Por exemplo, há os que planejam e contratam esses bandos, os que atuam somente no trabalho de levantamento de dados; e há aqueles que vão para o ?estouro?, ou seja, o dia da ação. Os bandos locais funcionariam ainda como base de apoio, repassando informações sobre potenciais alvos.

No caso do BC, a ação teria sido planejada há quatro anos. A escavação do túnel por onde foram levadas 3,5 toneladas de dinheiro em notas usadas de R$ 50,00, por exemplo, levou três meses.