Rio

(AE) – Mesmo que o corpo do jornalista Tim Lopes não seja encontrado, a polícia já tem indícios legais de que ele foi assassinado e provas suficientes para incriminar na Justiça o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, como autor do crime. A informação foi dada pelo delegado de Homicídios Paulo Henrique Pereira Machado, que acompanha as investigações na 22ª Delegacia de Polícia. Segundo Machado, a procura do corpo do jornalista foi interrompida no alto da favela da Grota, no Complexo do Alemão, por não haver indicações de que haja mais corpos enterrados lá. Foram encontrados cinco arcadas dentárias (nenhuma delas do jornalista) e fragmantos de ossos. “Normalmente nesses casos, os assassinos fragmentam os corpos para evitar sua identificação”, explicou Machado. “No caso do Tim Lopes, no entanto, os depoimentos de testemunhas e pertences deles encontrados no local já são provas legais do assassinato.” Anteontem e ontem foram registrados no rio protestos contra a morte do jornalista.

Mais um preso

A polícia prendeu ontem mais um integrante da quadrilha. Elizeu Felício de Souza, o Zeu, de 22 anos, foi detido na madrugada, na Favela Vila Cruzeiro, reduto de Maluco. Ele teria acompanhado a execução do repórter da TV Globo. De acordo com depoimento de Ângelo Ferreira da Silva, de 19 anos, que confessou ter levado o jornalista de carro até o alto da Favela da Grota, onde ele foi assassinado, Zeu era um dos quatro seguranças que acompanhavam Elias Maluco. Ele não teria participado efetivamente da execução. Silva contou ainda que Zeu é gerente de um dos pontos-de-venda de drogas no Complexo do Alemão. Detido no carro de um parente, Zeu negou aos policiais pertencer ao bando do traficante e alegou ser feirante, mas foi reconhecido por Silva.