Um em cada três denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em cinco operações realizadas pela Polícia Federal no Rio de Janeiro desde 2003 – Cerol, Planador e Furacão 1, 2 e 3 – é policial federal e, destes, um em cada três é delegado da corporação. Nas cinco investigações, foram denunciadas 182 pessoas, sendo 55 funcionários da PF (30,2% do total) e, entre esses, dezesseis delegados (29% dos policiais).

Ontem, na Furacão 3, foram presos os delegados Osvaldo da Cruz Ferreira e Flávio Furtando, o escrivão Carlos Araújo Lima e o agente Sebastião Monteiro. As acusações contra eles vão da "venda", a acusados, do resultado de inquéritos ao vazamento antecipado de informações sobre ações policiais, detectados em interceptações telefônicas e até escutas ambientais feitas com autorização pela Justiça.

"Diziam: ‘Vai ter uma ventania’", relatou o procurador da República Orlando Monteiro, do Grupo de Controle Externo das Atividades Policiais do MPF no Rio. "’Ventania’ era operação da PF. Ou então os inquéritos não andavam ou tinham relatório tendencioso. Obviamente, isso tinha um preço." A Operação Cerol investigou corrupção envolvendo crimes previdenciários; a Planador, a emissão ilegal de passaportes; e as três Furacões, a ação da máfia de bingos e caça-níqueis no Rio, inclusive a venda de sentenças e corrupção de policiais. As Furacões começaram a partir de uma denúncia de suposta tentativa de extorsão ocorrida na Delegacia de Polícia Fazendária (Delefaz) da PF no Rio.

Furacão 1

A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Criminal Federal, expediu hoje os alvarás de soltura para todos os beneficiados pela decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a libertação de todos os presos na Furacão 1. Esperava-se, porém, a libertação de apenas oito denunciados. Outros onze réus deveriam continuar presos, por causa de outros processos em que também tiveram prisão decretada. O vigésimo beneficiado é Marcelo Kalil, que até a decisão de Mello era considerado foragido. A previsão era que, com os alvarás expedidos, fosse feita a checagem oficial para determinar quem ficaria preso e quem sairia.

Um levantamento prévio indicou que não tinham a prisão decretada em outros processo, além de Kalil, os acusados Belmiro Martins Ferreira, Licínio Soares Bastos, Laurentino Freire dos Santos, Silvério Nery Cabral Júnior, Sérgio Luzio Marques de Araújo, Virgílio de Oliveira Medina, Nagib Teixeira Suaid, João Oliveira de Farias. Deveriam continuar presos Antonio Petrus Kalil, Aílton Guimarães Jorge, Aniz Abrahão David, José Renato Granado Ferreira, Paulo Roberto Ferreira Lino, Júlio César Guimarães Sobreira,José Luiz da Costa Rebello, Ana Cláudia Rodrigues do Espírito Santo, Jaime Dias, Evandro da Fonseca e Luiz Paulo Dias de Mattos.