Estudante de pedagogia, casada e mãe de dois filhos, a recepcionista Viviane Brito Barbosa, de 29 anos, morreu por não ter R$ 10 a mais no bolso na hora de comprar um remédio para asma. Ela procurou uma farmácia de Salvador durante uma crise asmática, mas os funcionários do lugar não quiseram vender o medicamento porque ela não tinha dinheiro suficiente.

Viviane começou a ter um ataque de asma em casa na noite de quarta-feira. Sem conseguir localizar a "bombinha" – equipamento que dispara broncodilatadores diretamente nas vias aéreas -, ela resolveu seguir para a farmácia mais próxima para comprar outra. O padrasto dela, o aposentado Renê Moreira, a acompanhou, mas esqueceu a carteira em casa. "Chegando lá, Viviane viu que só tinha R$ 12 no bolso e o remédio custava R$ 22", disse Moreira. "Só lá notei que eu estava sem minha carteira.

De acordo com ele, a crise foi se agravando e as duas funcionárias da farmácia se negaram a vender o remédio, mesmo quando ele ofereceu deixar os documentos do carro como prova de que voltaria para arcar com a despesa. Vendo Viviane com os lábios arroxeados, Moreira resolveu desistir da negociação e levá-la para o centro de saúde mais próximo. Ela desmaiou no caminho e sofreu uma parada cardiorrespiratória pouco antes de chegar ao hospital. Não houve tempo para que os médicos pudessem reanimá-la

Conselho

Segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado, Altamiro José dos Santos, o caso é "lamentável". "Os vendedores e comerciantes precisam entender que nosso ramo é diferenciado, que nós lidamos com a saúde humana", afirmou. "No nosso caso, a visão mercadológica tem de ser flexível." Santos afirma que as atendentes não são farmacêuticas e por isso o conselho não pode aplicar sanções a elas. Segundo os familiares da vítima, as funcionárias foram substituídas por outras já ontem, mas a direção do estabelecimento não foi localizada para comentar o caso.