A alta persistente na inflação deve levar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a promover, nesta quarta-feira (8), a sétima alta consecutiva da Selic. Como a taxa básica de juros provavelmente vai superar a marca de 8,5% ao ano, será alterada a remuneração de uma das mais tradicionais aplicações do país: a caderneta de poupança.

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Hoje a Selic é de 7,75% ao ano, o que faz com que a remuneração da poupança seja definida pela “regra nova”, instituída em 2012, com rendimento mais baixo. A expectativa da maioria dos economistas é de que o Copom eleve o juro básico para 9,25% ao ano, o que levaria a um retorno à “regra antiga” da caderneta, com remuneração mais alta.

As regras de remuneração da poupança são as seguintes:

  • Poupança “antiga” (depósitos feitos até 3 de maio 2012): a remuneração desses depósitos é sempre de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais TR (hoje zerada), independentemente do patamar da Selic.
  • Poupança “nova” (depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012), com Selic de até 8,5% ao ano: a remuneração é de 70% da Selic (o que corresponde a 5,43% ao ano, atualmente) mais TR (hoje zerada).
  • Poupança “nova” (depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012), com Selic acima de 8,5% ao ano: remuneração igual á da poupança “antiga”, de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais TR (hoje zerada).

Em resumo, depósitos que hoje rendem 5,43% ao ano passarão a render 6,17% ao ano, caso a Selic realmente passe de 8,5% ao fim da reunião desta quarta do Copom.

As regras da poupança foram modificadas em maio de 2012, no governo Dilma Rousseff (PT). Quando as novidades entraram em vigor, a Selic era de 9% ao ano, e nos meses seguintes cairia ao mínimo histórico de então (7,25% ao ano). O objetivo, ao reduzir a remuneração, era evitar que os títulos do governo ficassem menos atraentes que a caderneta.

Poupança deve render mais, mas continuar perdendo da inflação

O diretor-executivo de pesquisas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, diz que o retorno ao rendimento maior dá mais atratividade à caderneta de poupança.

Mesmo assim, ela continuará rendendo menos que a inflação: o IPCA acumulado em 12 meses até outubro foi de 10,67%, e o índice tende a continuar acima de 10% por mais alguns meses. O mercado financeiro espera que o IPCA desacelere ao longo de 2022 e chegue ao fim do ano que vem mais perto de 5% – mas vale destacar que essa estimativa tem sido reajustada, e está em alta há 20 semanas.

“A decisão de deixar o dinheiro na caderneta de poupança vai depender do objetivo: se for para ser usado para uma necessidade imediata, como um capital de giro, é um bom investimento. O dinheiro não fica parado”, diz Vinícius Martins, sócio da Phi Investimentos.

Ele diz que a principal vantagem da poupança é a facilidade de poder contar rapidamente com os recursos. Outras vantagens são apontadas por Oliveira: “Não há a cobrança de taxa de administração nem de Imposto de Renda, e pode ser considerada uma aplicação mais segura”.

Outras aplicações conservadoras podem render mais que a poupança

Porém, Martins destaca que com a democratização da forma de investir e o avanço das fintechs há possibilidade de se conseguir rendimentos em aplicações conservadoras e de liquidez imediata que paguem 100% do CDI – rendimento muito próximo à Selic.

Ele lembra que a tendência é de novas altas na taxa básica de juros, o que faz com que essas aplicações tendam a ficar mais atrativas que a caderneta. Segundo projeções de bancos, corretoras e consultorias, o ponto médio das expectativas para a Selic até o fim de 2022 está em 11,25% ao ano.

O diretor da Anefac afirma que, com a Selic chegando a 9,25%, os fundos de investimento em renda fixa terão rendimento superior à caderneta de poupança quando as taxas de administração forem inferiores a 1% ao ano. Ele projeta que haverá uma tendência de os bancos reduzirem os custos nas taxas de administração dos fundos para não perder clientes.

Para os investidores mais conservadores, Martins sugere títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic. “É uma aplicação muito segura, em linha com o mercado e que dá uma boa remuneração.”

Em 2021, retiradas da poupança superaram os saques em R$ 43 bilhões

O sócio da Phi Investimentos aponta que a alta no juro básico é um dos motivos para a retirada de recursos da poupança. No ano, até 30 de novembro, as retiradas superam as aplicações em R$ 43,2 bilhões, apontam dados do Banco Central. O volume aplicado ao fim de novembro era de R$ 1,02 trilhão.

À medida que os juros sobem, cai o interesse por aplicações em renda variável, como as ações de empresas na Bolsa. “O investidor faz um cálculo: para que correr risco, se o juro futuro está em 10% a 13% ao ano?”, diz.

Uma pesquisa feita pela XP Investimentos mostra que seus clientes pretendem reduzir sua alocação em renda variável. Os investimentos em que houve maior interesse em novembro foram Tesouro Direto e renda fixa, investimentos internacionais e fundos de renda fixa.

Mesmo com a renda fixa mais atraente, Martins diz que o investidor mais arrojado deve ficar atento a oportunidades na renda variável. “O momento para estes é de garimpar: há empresas que, mesmo no atual cenário, vem mostrando bons desempenhos.”

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