São Paulo

  – O novo Plano Plurianual de Investimentos (PPA) será a face visível da estratégia do governo na chamada “fase 2” da economia, sinalizou ontem o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante. Ele argumentou que a melhora recente dos indicadores macroeconômicos permite o início das discussões em torno de “um projeto de desenvolvimento para o Brasil”, saindo assim da “agenda de curto prazo” – o que seria a “fase 1” da economia na qual o governo concentrou esforços na estabilidade econômica e na reconquista da confiança dos investidores internacionais.

Grandes investimentos

Segundo Mercadante, o novo Plano Plurianual “vai exatamente inaugurar o debate sobre os grandes investimentos para o País”. Constarão do PPA, segundo o senador, as diretrizes de política industrial e agrária do governo, assim como para segmentos do setor de infra-estrutura como o de energia elétrica e transportes. “Com a melhora macroeconômica nós podemos começar agora a abrir essa discussão para um crescimento, moderado ainda, mas sustentado”, afirmou o senador. “É essa agenda de desenvolvimento que deve orientar o Orçamento da União, as decisões orçamentárias do Banco do Brasil da Caixa Econômica Federal e do BNDES e as parcerias entre o setor público e privado”, acrescentou.

O texto base do PPA para os próximos quatro anos deve ser apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião ministerial marcada para a próxima segunda-feira. Seu conteúdo final será apresentado no começo do segundo semestre e será fruto de discussões com a sociedade que o governo pretende realizar em nível nacional. Ao que tudo indica, o governo tem no segundo semestre um período chave para as ações de desenvolvimento que caracterizarão a “fase 2”, com a qual pretende se diferenciar da gestão anterior de governo na área econômica.

Na última terça-feira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, já havia sinalizado que o PPA trará as primeiras indicações da política industrial do governo Lula. Disse que vinte setores já foram escolhidos no Fórum de Competitividade para ganharem políticas setoriais específicas e que representantes de boa parte deles já haviam se reunido com os ministérios envolvidos na elaboração das ações. Ontem, o secretário executivo da Fazenda, Bernard Appy, afirmou que “instrumentos horizontais e verticais” de incentivo à atividade produtiva estão amadurecendo no governo e que brevemente será possível conhecê-los.