Brasília (AE) – O PPS divulgou ontem documento com críticas às políticas econômica e social do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em 20 páginas, o documento – intitulado “Sem mudança não há esperança” – afirma que “não haverá o crescimento por todos esperado se prevalecer a ortodoxia financeira, cujo principal resultado tem sido o incremento da parcela paga em juros da dívida pública em relação ao PIB (Produto Interno Bruto)”. O documento afirma também que a retomada do crescimento da economia nos últimos meses será “passageira e não gerará o desenvolvimento esperado se não for acompanhada de uma mudança efetiva na política macroeconômica”.

Único integrante do primeiro escalão do governo do PPS, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, preferiu não comentar o documento. “As propostas apresentadas no documento foram defendidas nas últimas duas campanhas à presidência da República pelo Ciro Gomes. É o caso do alongamento do perfil da dívida, proposto pelo Ciro”, afirmou ontem o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE).

Apesar das críticas, o documento deixa claro que o PPS continua apoiando o governo. “Somos um partido que está na base; temos até ministro no governo. Mas parece que este governo só entende aliado como áulico”, disse Freire, que tentou marcar uma audiência com o presidente Lula para entregar o documento do PPS, mas não conseguiu.

O documento divulgado ontem pelo PPS foi aprovado pelo Diretório Nacional do partido, no início de agosto. Ao reclamar da atual política econômica, o partido defende a criação de um “imposto progressivo sobre o lucro das instituições financeiras”. Propõe também a negociação do alongamento do perfil da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna. “Seus atuais indexadores precisam ser rediscutidos”, diz o documento.

O PPS quer ainda que o governo faça uma política para ordenar a entrada de capitais no Brasil. “O PPS é favorável a alguma forma de controle de capitais de não residentes, sobretudo os de curto prazo, de caráter especulativo, cuja a liberdade de entrada e saída no País constitui-se entrave ao desenvolvimento sustentado da economia, já patrocinado de maneira exitosa por vários países, como a República Popular da China, Chile, Índia, Malásia, Coréia do Sul e Argentina”, afirma o documento.

Em relação à área social, o PPS diz que o avanço foi “mínimo”, neste mais de um ano e meio de mandato do presidente Lula, e acusa o governo de insistir em “políticas compensatórias e assistencialistas (como, por exemplo, o Fome Zero), limitadas para a redução efetiva das desigualdades sociais”.