Brasília – A Direção Nacional do PPS desligou ontem o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, de todas as atividades partidárias. Ciro ocupava o cargo de vice-presidente nacional do partido. Por intermédio de um deputado da legenda, ele comunicou que continua na legenda, da qual não pretende sair. Ciro afirmou também que o fato de ter sido retirado da vice-presidência não o incomoda porque nunca se sentiu mesmo "vice de nada".

"Continuo no PPS, partido que ajudei a se transformar na força que é hoje, com dois governadores (Eduardo Braga, do Amazonas, e Blairo Maggi, de Mato Grosso), dois senadores, 22 deputados federais e mais de 330 prefeitos", afirmou, de acordo com o deputado. O ministro da Integração Nacional lembrou ainda que, quando entrou na legenda, a sigla tinha três deputados. "Também continuo no governo, enquanto merecer a confiança do presidente da República", disse ainda, de novo segundo o mesmo parlamentar. Ciro despachou, normalmente, ontem na sede do ministério.

A nota do PPS que comunica a punição a todos os que não deixaram os cargos no governo federal foi assinada pelo secretário-geral do partido, Rubens Bueno. O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE), está no Chile. Antes de viajar, Freire disse que tomaria a decisão política de desligar Ciro do PPS. Aconselhou ainda o ministro a recorrer à Justiça, atrás dos direitos partidários, caso não gostasse da decisão que pretende tomar.

Também foi suspensa do cargo na executiva nacional a senadora Patrícia Saboya (CE), ex-mulher de Ciro, que é vice-líder do governo no Senado e não deixou o cargo nem pediu licença partidária. O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes; o secretário de Gestão Participativa do Ministério da Saúde, Crescêncio Antunes; o diretor-geral da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene), José Zenóbio Vascocelos, e o diretor de Engenharia da Codevasf, Clementino Coelho, pediram licença do PPS e também estão desligados das funções partidárias.

A decisão do PPS pelo rompimento com o governo ocorreu em 11 de dezembro, com o voto de mais de 70% dos integrantes do diretório nacional, controlado por Freire. Em 18 de janeiro, a executiva do partido fixou 31 de janeiro como prazo limite para a entrega de cargos. A decisão de romper com o governo é polêmica. O líder do partido na Câmara, Júlio Delgado (MG), os governadores e senadores e pelo menos 15 dos 22 deputados são contrários a ela.