Componente essencial da mesa de boa parte dos brasileiros, a carne bovina está pesando cada vez mais no bolso. Nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proteína ficou 28,36% mais cara, em média, enquanto a inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 10,05%.

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As raízes do problema com o preço da carne são anteriores à pandemia. O pesquisador Thiago Bernardino Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP), aponta que em 2018 e 2019 houve um grande descarte de fêmeas. Foram mais 10 milhões de animais abatidos em 12 meses, o maior número desde 2014.

Novos componentes se somaram de lá para cá. Problemas climáticos, como a falta de chuva, afetaram a qualidade das pastagens. E o real perdeu 26,3% de seu valor frente ao dólar desde o início do ano passado. De um lado, isso tornou as exportações mais atrativas; de outro, elevou os custos do produtor. “Os medicamentos, por exemplo, acompanham a moeda norte-americana”, diz Carvalho.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne bovina fresca e refrigerada atingiram US$ 669,5 milhões nos nove primeiros meses do ano. É o maior valor da série histórica iniciada em 1997. Os principais clientes são Chile, Holanda, Uruguai, Arábia Saudita e Israel. Com mais carne vendida a outros países, sobra menos para o mercado interno, o que também pressiona os preços por aqui.

O milho, um dos principais insumos usados para alimentar o gado confinado, ficou 40,8% mais caro nos últimos 12 meses, segundo o Cepea-USP.  “É uma combinação de alta nos custos com oferta menor”, diz Carvalho.

A alta atingiu todos os cortes, desde os mais nobres, como a picanha (27,85% mais cara nos últimos 12 meses) e o filé-mignon (+31,05%), até os de “segunda”, como é o caso do músculo (+36,83%).

Esta forte elevação nos preços da carne bovina acabou se alastrando para a carne suína, aves e ovos. O consumo dessas proteínas registrou recordes no ano passado, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O consumo per capita de frango atingiu 45,27 quilos no ano passado, o maior desde 2011. O de suínos foi para 16 quilos por habitante, o mais elevado desde 2010. E o de ovos, para 251 unidades por habitante, 9,1% a mais do que no ano anterior.

Com isso, os preços desses substitutos da carne bovina também aumentaram bem acima da inflação. Segundo o IBGE, o frango inteiro ficou 25,94% mais caro nos últimos 12 meses. A carne suína subiu 18,75% e os ovos, 14,26%.

Parte da pressão veio dos custos de produção, que também subiram. A soja, um dos componentes da ração, ficou 8,76% mais cara nos últimos 12 meses, segundo o Cepea-USP.

Confira a seguir a inflação das carnes e ovos nos últimos 12 meses (a reportagem continua logo abaixo):

Perspectivas não são favoráveis para o consumidor

As perspectivas não são muito favoráveis para o consumidor. Carvalho avalia que a oferta de boi gordo só deve ser normalizada em 2023. Mas sinais animadores já começaram a surgir, como as chuvas, neste início de outubro, que abrem perspectivas de alimento mais barato.

“O produtor vai ditar muito esse ritmo. Ele precisa ver se o custo de produção compensa”. diz o pesquisador. No último mês, o preço da arroba (15 kg) do boi gordo caiu 5,9%, segundo o Cepea-USP, motivado pelos dois casos atípicos da doença da “vaca louca” e a suspensão temporária das exportações à China.

Para o frango, a tendência é de que os preços se mantenham em patamares mais elevados, por ser a carne mais barata. “Há um interesse muito grande por ela”, diz o pesquisador do Cepea. O mesmo ocorre com a carne suína. Tradicionalmente, há um grande consumo no final do ano, o que leva à valorização.

Ele espera uma recomposição dos preços a partir do primeiro quadrimestre de 2022, quando há um arrefecimento no consumo. Mas isso também vai depender da demanda externa.

A China, principal consumidor no exterior, continua comprando carne com vigor. As exportações para o país asiático nos nove primeiros meses do ano atingiram US$ 1,1 bilhão, 23,1% mais que em igual período do ano passado, aponta a Secex.

Os chineses estão recompondo o plantel, após os problemas causados pela peste suína africana nos últimos anos, que levou ao sacrifício de milhões de animais.

Arroz e feijão subiram mais de 50% em 12 meses

Foto: Dionatan Dion Cerqueira / Pixabay.

Mas não são só as carnes que estão dando dor de cabeça para os consumidores. Outro prato habitual na mesa dos brasileiros também está bem mais caro. Nos últimos 12 meses, o arroz ficou, em média, 58,2% mais caro na gôndola dos supermercados. E o feijão subiu até 51,7%, como é o caso do preto.

No caso do arroz, segundo Lucílio Alves, professor da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq-USP), também há uma combinação de fatores que explicam os preços mais elevados, principalmente nos meses que se sucederam aos piores momentos da pandemia: um choque de demanda, com muita gente indo às compras; a valorização do produto no mercado internacional; e a alta no dólar.

Mas, nos últimos meses, o preço do grão tem se acomodado diante da maior disponibilidade. Segundo a Conab, a safra 2020/21 foi cerca de 5% maior, motivada pelos ganhos de produtividade. Para o consumidor, de acordo com o IBGE, os preços caíram nos últimos sete meses.

O preço do feijão, principalmente o preto, tem permanecido estável nos últimos meses, mesmo com uma projeção de queda de 11,4% na safra, segundo a Conab. A estatal ressalta que a demanda está enfraquecida, com sobra de mercadoria. E, com a redução no auxílio emergencial, preços em patamares elevados e produção ajustada, a tendência é de que o consumo doméstico recue.

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