Salvador (AE) – Mais de 15 mil livros didáticos queimados e descartados. Essa é uma das provas mais contundentes obtidas pelo Ministério Público da Bahia no município de Piripá, a 611 quilômetros de Salvador. Para fraudar verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) e receber mais recursos, o ex-prefeito de Piripá, Luciano Rocha, informou ao Ministério da Educação existirem no município três mil alunos a mais do que na realidade freqüentavam os grupos escolares.

Como o MEC enviou a Piripá o número de livros para esse contingente fictício, sobraram 15 mil exemplares. A solução encontrada por Rocha, que administrou o município entre 2000 e 2004, foi queimar dicionários, livros de ciências, matemática, português, história e geografia. Os promotores tomaram o depoimento de vários funcionários da Prefeitura cuja missão era levar caminhões de livros para a zona rural e queimá-los, mas a quantidade era tanta que não conseguiram dar conta. Com isso, parte das obras foi espalhada pelas casas de agricultores que nem sabem ler, mas usam os livros apenas como objeto de decoração nos barracos.

Diante das evidências de malversação de recursos públicos, o promotor Valtércio Pedrosa denunciou o ex-prefeito Rocha à Justiça esta semana. Ele também será investigado pela Controladoria Geral da União e Ministério da Educação. Desde que deixou a Prefeitura em 2004, Rocha não é mais encontrado em Piripá.