O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está convencido de que o ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau (PMDB) foi ?injustiçado? pela Polícia Federal e já chegou a dizer, em reuniões reservadas, que poderá até mesmo reconduzi-lo ao cargo. Lula só não bateu o martelo porque foi aconselhado a aguardar novos resultados de perícias que contestam conclusões da PF. O argumento de seus auxiliares é de que qualquer decisão sobre o assunto agora – na esteira do caso envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) – seria chamar nova crise para o Planalto.

O desconforto de Lula com a situação que empurrou o ministro para fora do governo, no entanto, é cada vez maior. Rondeau foi abatido pelo escândalo da Operação Navalha em maio, acusado de ter recebido, dois meses antes, propina de R$ 100 mil da empreiteira Gautama. A denúncia teve como ponto de partida um vídeo do ministério, mostrando Maria de Fátima Palmeira, diretora da Gautama, ao lado de Ivo Almeida Costa – que assessorava Rondeau – com um papel na mão. A PF diz tratar-se de um envelope com R$ 100 mil, que teria sido entregue a Rondeau por meio de Costa.

Na semana passada, laudo assinado pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp, sustentou que Costa segurava um papel em branco ou um envelope vazio. Outro instituto de criminalística, acionado por Rondeau, teria chegado a conclusão semelhante.

Padrinho do ex-ministro, o senador José Sarney (PMDB-AP) tem dito nos bastidores que vai exigir uma retratação da Polícia Federal. Até hoje Lula não nomeou o novo ministro de Minas e Energia, embora o PMDB tenha indicado para a vaga, em maio, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético da pasta Márcio Zimmermann.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo