Brasília – Para o presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, uma greve agora dos funcionários da empresa seria ?algo desastroso?. Ele, no entanto, acredita que haverá acordo com o Sindicato Nacional dos Aeroportuários, organização que representa os servidores da Infraero que trabalham no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Eles decidiram entrar em greve na próxima quarta-feira (11) por tempo indeterminado. Os empregados pedem um reajuste salarial de 33% e contratação de mais 1.800 funcionários.

Em entrevista à Agência Brasil, Pereira foi enfático: ?Uma greve agora na Infraero seria algo desastroso. Mas o governo está trabalhando e todos estão empenhados para evitar isso. E como o sindicato não está radicalizando, acredito que chegaremos a um bom acordo?. O brigadeiro frisa que esse ?acordo? vai acontecer nos próximos dias: ?O ministro da Defesa (Waldir Pires), o Paulo Bernardo [ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão] e eu estamos empenhados nisso, pessoalmente. O acordo sairá até a meia-noite de terça-feira (10)?.

O presidente da Infraero deixou claro que o acordo está nas mãos do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest), vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. ?Estamos em negociação com a categoria deste abril. Temos feito todos os esforços, mas temos que seguir a orientação do Dest, e sua orientação é inaceitável para o sindicato. Aí o impasse foi criado?, sublinhou.

De acordo com o brigadeiro, a empresa tem condições de atender a reivindicação, mas vem sendo impedida pelo Dest. ?O Dest, a princípio, não está aceitando o percentual de 6%. Mas nós da Infraero temos condições, sim, de aplicar esse percentual. Agora, temos que seguir a decisão do governo. Mas vamos conversar com o Dest e ver o que é possível fazer, porque a última coisa que queremos é uma greve num momento como esse?, pontuou Pereira.

Cerca de 1.400 funcionários da Infraero atuam no Aeroporto de Guarulhos. Caso a paralisação se confirme, deverão ser afetadas as áreas de navegação, segurança, operações, administração e carga aérea do aeroporto. A decisão pela greve foi tomada após cinco rodadas de negociação com a direção da empresa. Segundo o sindicato, os servidores reivindicam reposição salarial de 33% e contratação de 1.800 novos funcionários, enquanto a Infraero oferece 4% de reposição salarial e redução de benefícios.

Na próxima segunda-feira (9), os funcionários do Aeroporto Internacional Galeão-Tom Jobim, no Rio de Janeiro, também decidem em assembléia a realização ou não de greve.