Em resposta à pressão que vem sofrendo para que renuncie à presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou seu posto na Mesa e, pela primeira vez desde o início da crise envolvendo seu mandato, foi para a tribuna. De lá, acusou nominalmente adversários regionais, citando o ex-deputado João Lyra (PTB-AL) e a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), além de criticar o grupo Abril, que edita a revista Veja.

Ao longo dos quase 20 minutos de discurso, Renan voltou a se dizer vítima de "um impiedoso e irresponsável ataque que já se transformou em campanha". Tudo, segundo ele, fruto de uma "pseudodenúncia da revista Veja". "Neste calvário sou agredido diariamente por sistemáticas ignomínias, perfídias, insídias. Todas originadas da briga política paroquial, de interesse regional, e alimentada diariamente por derrotados rancorosos como João Lyra e a ex-senadora Heloísa Helena que, desesperadamente, tentam uma reinserção na vida política nacional", afirmou.

Irritado, Renan tentou desqualificar a representação do PSOL que deu origem ao processo que responde por quebra de decoro no Conselho de Ética. "Aqueles senhores senadores que, por irresponsabilidade e caráter rasteiro, queiram fazer novas representações rabiscadas em guardanapos, baseadas em ouvir dizer, em fofoca, em recorte de jornal, que o façam", disse. O presidente do Senado anunciou que encaminhará ao Ministério Público Federal denúncia de que a Editora Abril "tem negócios ocultos e interesses secretos". Renan mencionou ser um "escândalo, esse sim de interesse nacional, a fraude que está sendo tentada com a venda da TVA, do Grupo Abril, para a estrangeira Telefónica, por quase R$ 1 bilhão".