Foto: Agência Brasil

Tarso: ?gota d? água?.

Rio – O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou ?um pouco chateado? com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, e setores do PMDB que o apoiavam na disputa pela presidência do partido.

 Jobim abriu mão anteontem da disputa alegando ?interferência do governo? e ?opção? de Lula pelo adversário, o deputado federal Michel Temer, atual presidente do PMDB. ?Obviamente ele (Lula) ficou um pouco chateado, porque pareceu que queriam atribuir ao presidente a retirada da candidatura Jobim. Não foi isso, foi uma série de acontecimentos, mas evidentemente aquela visita ao (deputado) Geddel (Vieira Lima) pode ter sido uma gota d? água?, afirmou Genro, ontem à tarde, no Rio.

Na segunda-feira, o deputado Geddel Vieira (BA), que pertencia à ala oposicionista, e o governador da Bahia, Jaques Wagner, que apadrinha sua indicação para o Ministério da Integração Nacional, tiveram conversa reservada com Lula no Palácio. O encontro deu origem a especulações de que ele seria anunciado ministro antes da convenção, contrariando o que desejava o restante do partido.

Mesmo que o PMDB continue dividido após a convenção de domingo, Genro garantiu que todos os setores serão contemplados na reforma ministerial, que só será anunciada após a eleição peemedebista. ?Não há nenhum convite formalizado, mas há a garantia de que o setor da Câmara vá participar do governo, porque é o setor novo do PMDB, que está entrando agora no bloco da coalizão?, completou Genro.

O ministro esteve no acampamento da União Nacional dos Estudantes (UNE), no terreno da antiga sede da entidade. Os estudantes lutam na Justiça pela reintegração da posse, destituída durante o regime militar. Durante o discurso, Genro chamou de ?surto de ódio reacionário? a destruição da sede da UNE e de outros movimentos sociais, queimados pelos militares num período em que os estudantes lutavam pelas reformas agrária, urbana e econômica. ?Temos uma tradição de ódio profundo a tudo o que signifique mobilização dos que vêm de baixo?, acusou.

No final do ato, a vice-presidente da UNE, Louise Lima e Silva, pediu que o ministro levasse até o presidente duas bandeiras da entidade: a abertura dos arquivos da ditadura e o repúdio ao presidente norte-americano George W. Bush, que desembarca hoje no País.

?A visita do Bush tem duas dimensões. Uma dimensão de Estado: o governo brasileiro deve não só recebê-lo, mas tratar de aprimorar laços comerciais com todos os países do mundo. Mas as pessoas, os grupos sociais, têm sua opinião em relação a isso. Faz parte da democracia?, disse Genro. Sobre sua opinião em relação à abertura dos arquivos, o ministro esquivou-se de responder, afirmando que a pergunta deveria ser feita ao Ministério da Justiça.

Senadores do PMDB decidem hoje

Foto: Agência Senado

Calheiros ficou sem rumo.

Brasília (AE) – A bancada do PMDB no Senado vai se reunir hoje, na residência do presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para decidir que rumo vai tomar após a desistência do ex-presidente do STF Nelson Jobim de concorrer à presidência do partido. ?O objetivo desta reunião é avaliar o impacto da renúncia do ex-ministro Nelson Jobim à candidatura à presidência do PMDB e o comportamento que nós temos, no Senado, de quase total apoio ao governo?, explicou o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Jobim ia concorrer ao cargo de presidente do partido com o atual presidente e candidato à reeleição, deputado Michel Temer (SP), e desistiu da disputa terça-feira. Após uma reunião na liderança do PMDB no Senado, da qual participaram os ministros que representam o partido no governo – Silas Rondeau (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações) -, os peemedebistas trataram de desvincular a crise partidária do apoio ao presidente Lula.

?O PMDB tem dado apoio ao governo e continua dando apoio ao governo. Este é um incidente isolado dentro do próprio partido?, afirmou o ministro Hélio Costa. A palavra de ordem dos peemedebistas que apoiavam Jobim, agora, é busca da união. O caminho para a acomodação destas correntes é que ainda falta ser definido. O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), por exemplo, considera que o mais certo seria o presidente Michel Temer adiar a convenção de domingo para que as diferentes correntes do partido tentem aformação de uma chapa de consenso.

Anteontem, com a renúncia de Jobim, a decisão da bancada do Senado era não comparecer à convenção de domingo. Mas segundo declarações de Raupp, já está refluindo. ?Essa foi uma decisão tomada ontem (terça-feira) à noite de quem subscreveu a chapa do Jobim?, disse Raupp. Ele disse que se o presidente Michel Temer tomar a iniciativa de prorrogar por pelo menos 15 dias a convenção haverá tempo para que se possa tentar um consenso em torno da nova direção partidária. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo na Casa considera que a chapa de Temer não reflete a totalidade do PMDB.