O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, Wesley Mauch, rebateu hoje a afirmação do governador José Serra (PSDB) de que a reforma agrária é cara. Para ele, caros são os presídios. "Um preso custa muito mais para o governo e para a sociedade do que um assentado", comparou. Em palestra no 1º Diplomado da Juventude do PSDB, sábado, Serra afirmou que a reforma agrária bem feita envolve um componente econômico insuportável.

Para Mauch, o raciocínio do governador está equivocado. Segundo ele, os últimos cálculos feitos pelo governo federal revelam que o assentamento de uma família custa em média R$ 31 mil. "Cada família assentada significa de 4 a 5 pessoas empregadas no meio rural." Ele disse que o movimento acaba fazendo o papel do Estado na inclusão social e na qualificação dessas pessoas. "Duvido que a reforma agrária no Pontal custe mais do que a manutenção dos 33 presídios que o governo do PSDB instalou na região", desafiou.

Segundo Mauch, o movimento entende que o projeto de Serra para regularizar as áreas com mais de 500 hectares prejudica a reforma agrária. "São terras que o próprio Estado considera devolutas e a lógica manda que sejam usadas para atender a demanda por assentamentos." Ele disse que a região tem pelo menos 3 mil famílias de sem-terra em barracos de lona. O diretor executivo da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), Gustavo Ungaro, defendeu o projeto de Serra. Segundo ele, é uma medida que objetiva resolver conflitos e deveria ter apoio dos movimentos sociais.