Rio (AE) – O ex-cabo do Exército Joelson Basílio da Silva, de 23 anos, confessou ter sido o mentor da invasão do Estabelecimento Central de Transporte (ECT) e do roubo dos dez fuzis e da pistola, no dia 3, no Rio. As armas foram recuperadas na terça-feira. O Ministério Público Militar (MPM) considera ter material suficiente para sustentar denúncia contra Silva e contra o ex-soldado Carlos Leandro de Souza, de 22 anos, delatado pelo ex-cabo. Os dois ex-militares já trabalharam no ECT.

Silva, que era lotado no quartel até o mês passado, é morador do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. No depoimento, prestado na quarta-feira, ele apontou a participação no assalto de cinco civis, que também vivem no conjunto de favelas. Com Silva e Souza, eles teriam entrado no quartel à procura do armamento, enquanto outros criminosos ficaram do lado de fora. Os dois militares estão presos temporariamente.

Não está claro para os investigadores se Silva idealizou a ação sob encomenda de traficantes ou se ele pretendia vender as armas depois. De acordo com informações da Polícia Civil do Rio, um fuzil FAL calibre 762 como o roubado do ECT, se estiver em bom estado, chega a valer R$ 25 mil no mercado paralelo; uma pistola calibre 9 milímetros, R$ 1 mil.

Silva e Souza teriam pulado o muro do ECT com a ajuda de pelo menos mais quatro ex-militares. A ação foi filmada e as imagens mostram o momento em que os invasores espancaram as sentinelas. A prisão temporária deles, determinada pela Justiça Militar, com base nas investigações conduzidas pelo Comando Militar do Leste (CML), expira na segunda-feira, mas o pedido será renovado. Eles estão no quartel da Polícia do Exército, na zona norte.