Brasília – Mais 23 pessoas foram presas ontem, acusadas de envolvimento num esquema de fraude em concursos públicos. No total, 80 pessoas já foram para a cadeia desde domingo, quando 67 foram detidas no Distrito Federal, nove no Mato Grosso, três na Bahia e mais uma em Goiás. Entre os presos estão 16 servidores do Tribunal de Justiça do DF, dois policiais civis de Brasília e candidatos que faziam prova para agente penitenciário federal, presos enquanto faziam as provas.

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, a quadrilha vendia gabaritos de concursos ou mesmo a inclusão dos nomes dos interessados na lista de aprovados por até R$ 30 mil. Pelo menos 12 concursos realizados pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) – da Universidade de Brasília (Unb) – teriam sido fraudados nos últimos nove anos e muitos candidatos beneficiados pelo esquema, hoje ocupam cargos de chefia no serviço público. Ao todo, a Justiça expediu 103 mandados de prisão em todo o País.

A maioria das prisões foi efetuada durante a prova de seleção para o cargo de agente penitenciário, realizada no domingo. Mais de 50 mil candidatos disputavam as 368 vagas oferecidas. As prisões começaram uma hora depois do início do exame. O Ministério da Justiça informou que está analisando se vai cancelar o concurso. Antes mesmo do expediente começar, 14 funcionários do Tribunal de Justiça do DF foram presos na manhã de ontem. Eles são acusados de terem entrado no tribunal, fraudando o concurso público de 2003. O TJ/DF, por sua vez, informou que não vai anular o concurso, mas disse que os servidores envolvidos podem ser exonerados e as vagas serão preenchidas com outros aprovados.

De acordo com a polícia, o grupo era comandado pelo técnico judiciário do TJ/DF Hélio Ortiz e tem a participação de funcionários do Cespe, do Tribunal de Justiça do DF, de oficiais da Polícia Militar de Brasília e Goiás e de policiais civis de Brasília.

As investigações começaram no final do ano passado. Mas a Polícia Civil acredita que as fraudes podem estar ocorrendo desde 1996. Em pelo menos um concurso, de 2003, as irregularidades já foram confirmadas. ?Era uma quadrilha organizada. O principal ponto deles era fraudar os concursos públicos. As prisões continuam e nos estamos atrás do líder da quadrilha, que é o Hélio Ortiz?, disse o chefe da Polícia Civil do Distrito Federal, Laerte Bessa. As provas dos concursos que estão sendo investigados foram feitas pelo Cespe. A diretora-geral, Romilda Macarini, diz que houve apenas uma tentativa de fraude, que o exame não será anulado e que todos os concursos públicos e colaboradores do Cespe são sempre investigados.

Continuam as buscas

Brasília – O diretor do Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil do Distrito Federal (DF), Celso Ferro, espera concluir em 10 dias o inquérito sobre o desbaratamento da quadrilha de fraudadores de concursos públicos. A maior parte da quadrilha atuava no Distrito Federal. Ferro informou que existem outros mandados de prisão para serem cumpridos nas próximas horas dentro e fora do Distrito Federal. ?Ficou bastante evidente que nesses concursos públicos, a quadrilha atuou e conseguiu colocar as pessoas mediante fraude?, afirmou Celso Ferro. ?A investigação demonstrou que existem deficiências na realização dos concursos públicos não só pelo Cespe, mas em outros institutos que atuam neste setor?, avaliou o delegado.

O Cespe divulgou ontem nota informando que a operação policial não atrapalhará a execução de concursos públicos já em andamento. ?Há cerca de 45 dias, o Cespe, em conjunto com autoridades policiais federais, tomou conhecimento de possibilidade de fraude no concurso de ontem e, a partir dessas informações, adotou providências a fim de coibí-las, junto à Polícia Federal. O adiamento da aplicação das provas também permitiu que a Polícia Civil montasse a ação de aprisionamentos?, diz a nota do Cespe.