No segundo dia de funcionamento, a tenda instalada pela Prefeitura para atender pacientes com dengue na Brasilândia, zona norte da capital, teve na terça-feira, 07, atraso no início do expediente, longas filas e parou de receber pacientes três horas antes do previsto. Houve até cadastro para esta quarta-feira, 8.

Prevista para começar a funcionar às 8 horas, a tenda só começou a receber pacientes aproximadamente duas horas depois. O motivo foi o atraso do ônibus que levava os funcionários do Hospital Albert Einstein, parceiro da ação, conforme informou a Secretaria Municipal de Saúde em nota.

Passando mal desde domingo, o cabeleireiro Jair Fachi Fornari, de 41 anos, relatou que chegou ao local por volta das 9h30 e já pegou a ficha de número 307. “Enfrentei fila, tem muita gente vindo aqui. Começaram a atender às 10 horas. Às 15 horas, encerraram o atendimento.”

Morador da Vila Maria, na zona norte, o autônomo José de Carvalho, de 66 anos, elogiou o trabalho da equipe que está na tenda, mas disse que a quantidade de pacientes é muito grande para o número de funcionários. “O atendimento é de primeira, mas tem muita gente. Eu cheguei às 9 horas e 266 pessoas já estavam na minha frente. Só saí agora, às 17 horas.”

Com o grande volume de pacientes, apenas quem já estava dentro da estrutura foi atendido. Quem chegou depois, teve de preencher um cadastro para poder receber o atendimento hoje. “Estamos preenchendo a ficha, mas é para amanhã (hoje). Não está atendendo mais”, explicava uma funcionária.

O assistente financeiro Adriano Vieira, de 20 anos, preencheu o cadastro com a irmã, a atendente Cássia Vieira, de 18. Os dois estão com sintomas de dengue há quatro dias. “Eu vim aqui por causa da divulgação e porque disseram que o exame sai na hora, mas não conseguimos”, disse Cássia.

A aposentada Isolina Santos, de 76 anos, também não conseguiu ser atendida na tenda e preencheu um cadastro. “Chegamos às 15 horas. Não achei que teria tanta gente e pensei que ela teria prioridade, por causa da idade. Mas sei que é o excesso de pessoas. Vamos voltar amanhã (hoje) às 9h30”, lamenta a filha da aposentada, a supervisora administrativa Roseli Santos, de 44 anos.

A tenda começou a funcionar anteontem e tem capacidade para receber entre 150 e 200 pessoas por dia, além de contar com um laboratório para fazer um teste rápido de contagem de plaquetas.

Apoio

Sobre o fechamento mais cedo, a Secretaria Municipal de Saúde alegou que recebeu no local pacientes que já tinham sido “atendidos em outras unidades, até estaduais e particulares” e foram orientados a repousar e se hidratar.

A secretaria não comentou o preenchimento de fichas para o retorno no dia seguinte. Mas afirmou que está rediscutindo o fluxo de atendimento com o Hospital Albert Einstein.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.