O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) decidiu abraçar uma antiga proposta de cadastro único para os cidadãos: a carteira nacional unificada – o ‘RG nacional’. Segundo informações publicadas na segunda-feira (15) pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a proposta do Palácio do Planalto é utilizar como base os dados biométricos coletados pela Justiça Eleitoral. O texto, que está parado no Congresso, é uma atualização do documento que o governo de Dilma Rousseff (PT) enviou aos parlamentares em 2015. Uma das principais ideias para unificar os dados é evitar fraudes fiscais.

Até o momento, todas as outras tentativas de aprovar o novo sistema – Registro Civil Único (RCU), Registro Civil Nacional (RCN) e Registro de Identidade Civil (RIC) – fracassaram no Congresso.

O nome do novo banco de dados em discussão é Identificação Civil Nacional (ICN). Há expectativa de que ele seja debatido na Câmara dos Deputados logo após a votação final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), marcada para o final deste mês.

Os responsáveis por elaborar essa atualização foram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Dias Toffoli, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ), relator do Registro Civil Nacional, o projeto de 2015, na Casa Legislativa. Eles decidiram que os números do CPF e do título de eleitor deverão ser mantidos por pelo menos dez anos, enquanto o TSE coleta os dados biométricos de toda a população.

O projeto estabelece a criação do Documento de Identificação Nacional (DIN), com validade em todo território nacional. O DIN conterá todos os dados do cidadão, dispensando a apresentação dos documentos que lhe deram origem ou que nele tenham sido mencionados. A primeira emissão será gratuita. O número do CPF será incorporado aos documentos de identidade civil da União e dos estados, e também podem ser concedidos junto às certidões de nascimento.

“Trata-se, sobretudo, de promover a integração entre os institutos de identificação, os cartórios e a Justiça Eleitoral em um esforço conjunto e coordenado para simplificar a vida do cidadão”, diz o relatório de Júlio Lopes. “A base de dados da ICN será armazenada e gerida pelo Tribunal Superior Eleitoral, que a manterá atualizada e adotará as providências necessárias para assegurar a integridade, a disponibilidade, a autenticidade, a confidencialidade de seu conteúdo e a interoperabilidade entre os sistemas eletrônicos governamentais”.

O projeto tramita em regime de urgência. O teor final desse relatório foi conhecido no dia 1º de agosto.