Militantes ambientalistas e anticapitalistas transformaram o centro de Paris em praça de guerra neste domingo, 29, em uma manifestação que degenerou, levando a tropa de choque a intervir com bombas de gás lacrimogênio. Os incidentes aconteceram na Praça da República, a mesma que havia se transformado em um memorial em homenagem aos mortos nos atentados de 13 de novembro. Até velas foram jogadas na polícia, provocando indignação das autoridades na França. Segundo a organização não-governamental Avaaz, mais de 570 mil pessoas participaram de 2,3 mil manifestações pacíficas em todo o mundo com o objetivo de pressionar os líderes mundiais a chegar a um acordo na COP-21 (21ª Conferência do Clima) que se realiza em Paris.

Em Paris, o protesto havia sido organizado por grupos ambientalistas, desafiando a ordem do Ministério do Interior. Em razão dos atentados perpetrados por terroristas do grupo Estado Islâmico, que deixaram 130 mortos e 350 feridos, as autoridades proibiram grandes aglomerações em Paris – uma forma de reduzir o risco de novos ataques.

Contrariando a orientação, os grupos ecologistas organizaram um protesto pacífico na Praça da República, em Paris, espalhando pares de sapatos, que simbolizavam os manifestantes proibidos de se reunir. Ao final do evento, entretanto, um grupo de centenas de militantes “zadistas” entraram em choque com as tropas de choque. Tratam-se de radicais ambientalistas, espécie de “black blocs” que defendem o ecologismo e o anticapitalismo na França e usam a violência como forma de contestação das autoridades.

Segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, 174 pessoas foram presas.

“Estes atos devem ser condenados com a maior dureza possível”, criticou o presidente da França, François Hollande, que classificou os incidentes como “escandalosos”. Mesmo nos meios ambientalistas europeus, a violência da manifestação causou indignação. Líder do partido Europe Ecologie, Cécile Duflot, ex-ministra do Meio Ambiente, definiu a ação dos militantes “zadistas” como “desastrosa”. “Eles não têm nada a ver com a ecologia, nem com a COP-21”, afirmou.