O PSDB e o DEM (ex-PFL) decidiram obstruir as sessões do Senado como forma de manifestar sua oposição à permanência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no cargo de presidente da Casa apesar de ser acusado de quebra do decoro parlamentar. Calheiros tem-se esforçado para dar a entender que o clima na Casa é de normalidade dos trabalhos, mas os oposicionistas entendem que a crise é profunda e já começa a prejudicar o andamento das atividades legislativas.

"Normal não está. Existe uma crise profunda e, dificilmente será votada alguma coisa com essa tensão", afirmou o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Na avaliação de Jereissati, Calheiros teria exorbitado de suas funções, ontem, ao apresentar duas petições ao Conselho de Ética do Senado: uma questionando os limites da investigação e outra contra a decisão do colegiado de arquivar o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB), ex-relator do processo, que propunha o arquivamento da representação em que Calheiros é acusado de pagar parte de suas despesas pessoais com dinheiro de um lobista de uma empreiteira.

Em plenário, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), advertiu Calheiros pelo fato de ter tomado essas medidas na condição de presidente do Senado. No entender de Virgílio, Calheiros poderia fazer esses questionamentos na condição de simples senador. "Ele está agindo contra uma decisão do conselho que é do Senado. Ou seja, Renan está agindo contra o próprio Senado", disse Tasso. O líder do DEM, senador José Agripino (RN) disse que está chegando a hora de o Senado mostrar quem vale mais, "se é a voz do Plenário, ou a do presidente da Casa.