Brasília

(AE) – Os convencionais do PSDB aprovaram ontem no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, durante a convenção nacional do partido, o nome do senador José Serra como candidato à presidência da República e a deputada Rita Camata (PMDB) como vice. A coligação com o PMDB também foi confirmada. Dos 447 convencionais, 440 votaram a favor da candidatura de Serra, 427 aprovaram a indicação da deputada Rita Camata e 433 para a aliança com o PMDB

A oficialização da candidatura do senador José Serra foi em ritmo de grande festa. A superprodução preparada sob o comando do marqueteiro Nizan Guanaes e sua equipe mobilizou mais de 12 mil militantes vindos de Estados próximos do Distrito Federal. Embalados por shows musicais de bandas populares, 15 mil sanduíches, 50 mil garrafinhas de água e milhares de copos de suco, os militantes transportados em 650 ônibus comemoravam à chegada de cada tucano no ginásio. Mais do que o candidato José Serra, foi o presidente Fernando Henrique Cardoso que arrancou mais aplausos da platéia ao chegar.

O presidente Fernando Henrique Cardoso continuou sendo a atração principal para os militantes e convencionais que estavam perto do palco e faziam malabarismos para conseguir um autógrafo. De baixo, eles jogavam camisetas, bonés e chapéus e ele devolvia autografados. No palanque chamou atenção, quando foi anunciado o resultado da votação com a homologação da candidatura de Serra, a emoção de Ruth Cardoso. De olhos marejados, Ruth não escondia sua admiração por Serra e felicidade pelo desfecho depois de tantas e arrastadas polêmicas internas no PSDB.

Os R$ 500 mil reais para a convenção foram bem gastos, diziam exultantes os tucanos. Foram R$ 280 mil com a organização do evento no ginásio, com toda estrutura, incluindo alimentação e os shows do grupo Falamansa – um grupo, como a maioria dos tucanos, egresso da USP – e do cantor Leonardo e sua dupla de sobrinhos Pedro e Tiago. Mais R$ 200 mil foram reservados para gastos com os diretórios estaduais e municipais, segundo Milton Seligman, secretário -executivo do comitê de campanha.

Ao contrário da convenção peemedebista, a três quilômetros do local onde estavam os tucanos, o encontro do PSDB foi tranqüilo, com os pequenos e normais incidentes de sempre, como desmaios, crianças perdidas e brigas de pequenos grupos do lado de fora.

Como no último encontro dos tucanos, para o lançamento da candidatura de José Serra, em janeiro, os organizadores tiveram que esperar a chegada de companheiros ilustres, entre eles, o ex-governador Tasso Jereissati. O mesmo que atrasou o encontro de janeiro. Ontem, logo após sua entrada no palco, José Serra foi anunciado. Mas quando Serra entrou, Tasso já não estava no palanque. Havia descido para dar entrevistas.

Perguntado de daria a Serra ou a Ciro o palanque do PSDB no Ceará, Tasso respondeu: “Claro que ao Serra. Eu acredito em partido e vou seguir a determinação do meu partido” As figuras ilustres do PSDB tiveram que disputar espaço, como em todas convenções partidárias, com lideranças regionais de menor expressão que não dispensam o palco e um microfone.

Discreto num canto, só observando de longe, mas não escondendo a tensão, Nizan Guanaes acompanhava cada passo da convenção que gerou imagens para os programas de TV de Serra a partir de 20 de agosto. Mais agitada e preocupada, mas garantindo o perfeito funcionamento do deslocamento das autoridades, a organizadora Bia Aydar. Uma expert em campanhas tucanas. Como Nizan, fez as duas de FHC. Com muito dinheiro à disposição, profissionais competentes contratados e nenhuma grave dissidência interna, a convenção do PSDB e a oficilização da candidatura de Serra foram um passeio.