A cúpula do PSDB decidiu hoje que vai fazer uma “oposição light” ao governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. A posição dos tucanos foi fechada durante almoço do presidente Fernando Henrique Cardoso, os governadores tucanos eleitos e lideranças do PSDB, hoje.

A ordem é evitar divergências de atuação do partido no Congresso e dos governadores eleitos. Os tucanos querem unificar o discurso e impedir os arroubos oposicionistas de algumas lideranças do partido. Estão dispostos ainda a aprovar as propostas enviadas ao Congresso pelo futuro presidente e que sejam de interesse do País.

“Não seremos uma oposição para atrapalhar o futuro governo”, garantiu o presidente da Câmara e governador eleito de Minas Gerais, deputado Aécio Neves. “Estamos convencidos que temos de fazer uma oposição com grandeza, que é não tentar atrapalhar a administração nem a governabilidade do futuro governo. Também não vamos criar armadilhas nem empecilhos nem votar contra só pelo prazer de votar contra”, disse o ex-governador do Ceará e senador eleito Tasso Jereissati.

“O presidente Fernando Henrique enfatizou a necessidade de unidade do partido e disse que a hora é de colaborar com o futuro do País”, contou o governador reeleito de Goiás, Marconi Perillo. Mas, por enquanto, o discurso dos tucanos ainda não está unificado.

Há uma ala do partido que prega uma oposição contundente ao futuro governo. É o caso, por exemplo, da questão do salário mínimo. Enquanto o ex-governador Tasso Jereissati defende que o partido volte atrás na idéia de fixar o mínimo em R$ 240,00, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), insiste na proposta. “Seria um bom gesto do partido tirar essa proposta de R$ 240,00”, observou Tasso. “Sou a favor da manutenção da proposta de R$ 240,00 porque é uma coisa possível e justa”, argumentou Jutahy Júnior. Segundo ele, esta proposta é avalizada pela maioria dos parlamentares.

Na reunião com os governadores e lideranças tucanas, o presidente Fernando Henrique avisou aos seus companheiros de partido que não vai, durante um período que não especificou, dar opinião sobre nada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Assim que deixar o Palácio do Planalto, Fernando Henrique pretende fazer uma viagem e se pôs à disposição do partido para ajudar na reformulação de conceitos. “Mas ele deixou claro que não vai participar da política do dia-a-dia”, afirmou o líder tucano na Câmara.

No encontro, os tucanos discutiram os rumos do partido. Tasso Jereissati defendeu que o momento é de definir responsabilidades para, mais tarde, “escalar o time”. Segundo o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, não foi traçada nenhuma estratégia do partido para as eleições de 2006. “Sou contra o chamado terceiro turno. Temos de acabar com essa cultura de acabar uma eleição e já estar pensando na seguinte, pois o governo que está começando tem que ter credibilidade”, disse Alckmin. A posição do PSDB em relação ao futuro governo, de acordo com o governador, será fiscalizadora e de aprovação de todas as propostas de interesse público.

Durante a reunião, os tucanos não abordaram as negociações para fazer blocos com outros partidos e tentar neutralizar o acordo feito entre o PMDB e o PT para as presidências do Senado e da Câmara. Mas, ao fim do encontro, o presidente Aécio Neves aproveitou para criticar o acordo entre petistas e peemedebistas. “O bloco pode vir como uma reação à aliança que não contou com a participação dos outros partidos”, disse Aécio. “Não é bom para quem precisa de harmonia no Congresso, de clima positivo para aprovar medidas fundamentais à governabilidade iniciar um processo excluindo aqueles que eventualmente, em questões pontuais, podem ser parceiros”, completou.