O senador José Nery (PSOL-PA) informou que seu partido fará consultas com especialistas para checar se o advogado Gim Argello, vice-presidente nacional do PTB, está em condições jurídicas de assumir um mandato de senador em lugar de Joaquim Roriz (PMDB-DF), que ontem renunciou para não ser cassado sob acusação de envolvimento com um esquema de desvio de dinheiro público no Distrito Federal. Como Argello assumiu oficialmente a suplência de Roriz em janeiro e foi diplomado pela Justiça Eleitoral como suplente, o PSOL quer saber se não está caracterizada quebra de decoro parlamentar por ele, já que, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, Argello teria atuado, em março, como intermediário na operação em que Roriz e o então presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura fizeram a partilha de R$ 2,23 milhões.

O PSOL prepara-se para apresentar uma representação contra Argello, e, segundo Nery, a checagem que o partido fará sobre o suplente é uma precaução para evitar que a representação venha a ser rejeitada pela Mesa do Senado. "A situação do suplente do ex-senador Joaquim Roriz é efetivamente delicada, dada a gravidade da denúncia, o que obriga o PSOL a verificar", afirmou José Nery. Foi o PSOL que representou à Mesa Diretora contra o presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que está sendo processado no Conselho de Ética, e contra Roriz, que renunciou preservar os direitos políticos, inclusive o de se candidatar em 2010.