Brasília (AG) – O PT foi para o divã. Com o desempenho aquém das expectativas no segundo turno das eleições municipais, a legenda inicia um processo de reavaliação de conduta e reconhecimento de erros cometidos durante a campanha.

Nos dias 20 e 21 deste mês, o diretório nacional se reunirá em São Paulo para fazer uma análise mais racional do desempenho do partido nas eleições municipais e começar a estabelecer os ajustes necessários para o próximo embate eleitoral, em 2006.

Amanhã, o PT inicia sua terapia em grupo na reunião da executiva nacional. Nos bastidores do partido já há uma unanimidade: o processo de avaliação de erros será mais lento do que se imagina. Há no interior do PT duas cobranças: a de que o grupo paulista deve dividir poderes com os vitoriosos de Norte e Nordeste; e a de que o partido, depois de dois anos de governo Lula sem inovações à esquerda, deve voltar às origens.

O senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PT-DF) diz que o partido precisa voltar às origens e recuperar a sua capacidade de encantar o Brasil. Em sua opinião, foi o que faltou para se evitasse as derrotas em cidades importantes do país.

“O PT não perdeu a eleição. Ele perdeu a capacidade de encantar o Brasil. Nós ganhamos muitas cidades e espalhamos o partido. Mas o nosso discurso não é mais aquele que empolgava o país, principalmente nas cidades, onde o eleitor é mais exigente”, afirma o senador. Cristovam diz que o PT precisa recuperar suas bandeiras e debatê-las com independência em relação ao governo. “Além do conservadorismo na área fiscal, não apresentamos novidades em outras áreas. O eleitor está pondo seu voto para o caminho da esquerda”, diz Cristovam.

Reorganização

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, José Genoino, diz que 2005 será um ano importante para o partido se reorganizar internamente: “Vamos iniciar um debate para avaliar os erros. No próximo ano, teremos eleição para a direção do partido. Vai ser um grande momento de debate estratégico do PT e um momento para reavaliar o que aconteceu nesta campanha. Nossa discussão tem que ser mais profunda do que avaliações precipitadas”, diz Genoino.

O partido tenta entender o motivo de derrotas que marcaram o PT nestas eleições, como em São Paulo, maior cidade do país, e em Porto Alegre, capital onde os petistas estavam no poder há 16 anos. No Centro-Sul, o partido ficou apenas com a prefeitura de Vitória, que a partir de janeiro será comandada por um integrante da ala mais à esquerda do partido, João Coser.

Tucanos de olho em 2006

Brasília (AG) – Revigorado com a vitória nas eleições municipais, o PSDB tem pressa em começar a montar a estratégia para a revanche com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006. Os principais líderes tucanos aguardam o retorno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao Brasil, daqui a 15 dias, para fazer uma grande reunião de avaliação e deflagração da operação 2006. Com antecedência de dois anos, eles querem, principalmente, evitar o maior erro de 2002, quando o partido passou longos meses administrando a disputa entre Tasso Jereissati (CE) e José Serra (SP), então pré-candidatos presidenciais.

O governador paulista Geraldo Alckmin é o nome mais forte do momento para enfrentar Lula em 2006. Há outros no páreo, como o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Mas a orientação no partido hoje é que não haja disputas, que os tucanos dêem continuidade à união conseguida pela disputa com a petista Marta Suplicy, em São Paulo.

Afastado estrategicamente da campanha de Serra , Fernando Henrique deverá reassumir papel de comando no quartel general do PSDB.