Brasília (AE) – Preocupados com a governabilidade num provável segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros do PT e a cúpula da campanha começaram a construir pontes na direção do PSDB. Nos últimos dias, interlocutores do presidente conversaram com os governadores eleitos de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, ambos tucanos, na tentativa de apaziguar o ?day after? eleitoral e evitar que a disputa política caminhe para o ?terceiro turno?.

O governador eleito da Bahia (PT), Jaques Wagner (PT), foi um dos que telefonaram para Serra e Aécio. Disse que o objetivo das conversas travadas com os tucanos é ?baixar a temperatura? da briga. Dando como certa a vitória de Lula no domingo, Wagner afirmou que, quando acabar a partida, a vida real será ?outra coisa? porque ?o Brasil não é uma republiqueta de banana?.

?Eu não acredito nessa história de terceiro turno. Essa loucura não tem como durar. A oposição vai querer mais quatro anos de guerra fratricida? Os empresários vão topar um jogo desses? Claro que não. A moçada quer estabilidade e todos sabem que o presidente não é desonesto?, afirmou Wagner, que reforça o time dos coordenadores da campanha de Lula.

Pelo seu relato, a receptividade de Serra e Aécio nas conversas tem sido ?muito boa?. ?Aécio já disse que, seja quem for o eleito, o que interessa é o desenvolvimento?, insistiu o futuro governador da Bahia. Em vários momentos, Wagner tentou substituir o discurso que acusava o ?golpismo? por elogios aos adversários. Nem sempre, porém, conseguiu. Chegou a dizer que o oposição faz o jogo do ?vale-tudo? por conta da ?derrota anunciada?.

?Mas não acho que estamos no tempo da rua Toneleros?, ressalvou. ?Embora alguns estejam repetindo o linguajar e outros vivam com saudade de Lacerda, isso não cabe mais na democracia.? A referência de Wagner foi ao episódio conhecido como atentado da Rua Toneleros, em agosto de 1954, quando a situação política se agravou tanto que o jornalista Carlos Lacerda – que acusava o então presidente Getúlio Vargas de ?gerente geral da corrupção? – foi alvejado diante de sua casa, em Copacabana. Escapou, mas o atentado resultou na morte do major-aviador Rubens Florentino Vaz.