Brasília – O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) obteve do líder do PT no Senado, Tião Viana (AC), a concordância para que a bancada do partido realize nova reunião para discutir a decisão de afastar a senadora Heloisa Helena (PT-AL) da bancada petista. Suplicy (PT-SP) fez ontem discurso da tribuna do Senado em defesa da senadora. Em seu pronunciamento, Suplicy, que discordou do afastamento de Helena, fez um apelo para que todos os senadores da bancada petista reflitam sobre o a decisão de ontem e revejam o afastamento da senadora.

Suplicy fez apelo, também, aos filiados do PT para que digam aos senadores, quando os encontrarem nos fins de semana em seus Estados, que deixem Helena na bancada. O senador Pedro Simon (PMDB-RS), em aparte a Suplicy, apoiou o pedido de revisão da decisão tomada ontem pela bancada petista. Um grupo de cerca de 15 deputados apoiou a senadora. Além disso, houve um ato de desagravo dos parlamentares de te grupo e de alguns senadores a Helena, no próprio Senado.

Conciliação

O presidente do PT, José Genoíno, disse que a decisão da maioria dos 14 senadores petistas de afastar da bancada a senadora Heloísa Helena por suas atitudes contrárias ao governo e à orientação do partido nada tem a ver com o exame do assunto que está sendo feito pelo Conselho de Ética do PT. “A bancada tem autonomia, o que houve foi a quebra de confiança por parte da senadora”, afirmou.

Genoino relatou que em sua conversa de ontem com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) alertou sobre a necessidade de Heloísa Helena fazer um gesto de conciliação para que sua situação seja revista. “Ela tem de assumir o compromisso público de que acatará as decisões do partido e da bancada”, exigiu o presidente do PT.

Pedido

A senadora Heloisa Helena afirmou que está com a consciência tranqüila por estar seguindo o estatuto do partido que permite o debate de idéias. Helena disse que no PT pode haver divergências mas, acrescentou, ninguém pode ser maior do que o partido. “Partimos do pressuposto de que somos todos iguais, senão acabaremos divididos e isso não é bom opara a democracia”, afirmou.

Dirceu sepulta novo partido

Brasília

– A intenção do governo de criar um novo partido para receber os deputados dissidentes da oposição e deputados descontentes de partidos da base que procuram uma nova legenda foi afastada na reunião de ontem do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, com os líderes dos partidos aliados na residência do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).

Na reunião, Dirceu consultou os líderes para saber se eles concordavam com o envio de um projeto de lei ao Congresso alterando a legislação partidária para permitir que os parlamentares que saíssem dos partidos para a nova legenda levassem com eles o tempo de televisão e os recursos do fundo partidário.