Brasília – Com a pretensão de repetir nas eleições municipais de 2004 o mesmo sucesso da eleição presidencial do ano passado, a direção nacional do PT vai realizar nos dias 28 e 29 de agosto, em Belo Horizonte, um seminário político dirigido aos presidentes de diretórios estaduais e pré-candidatos do partido para dar a primeira orientação aos candidatos às eleições municipais de 2004. A primeira orientação do presidente nacional do partido, José Genoíno, é uma novidade para o PT, que sempre preferiu lançar candidatura própria para marcar posição do que fazer aliança eleitoral. Desta vez, o PT só deve lançar candidatos com viabilidade eleitoral.

“Agora somos governo e temos de vencer a eleição no maior número de capitais. Por isso, vai ficar claro que esta eleição não é degrau nem escada para outra eleição”, disse Genoíno, lembrando que no passado petistas faziam “biografia” numa campanha para disputar uma eleição seguinte.

Já que pretende lançar apenas candidato com chances reais de vencer, o PT está, também, disposto a fazer alianças abrindo a cabeça da chapa para candidatos de outros partidos. No caso, partidos que já integrem a base parlamentar do governo Lula, como o PSB, o PPS, o PTB, o PL e, os mais novos aliados, PMDB e PP. Um dos casos, segundo Genoino, pode ser a campanha nas capitais do Paraná, Santa Catarina e Paraíba, onde o PMDB já apoiou Lula; e também no Ceará, terra do líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira, que tem sido um forte aliado do governo no Congresso.

Aliança

Até a discussão da reforma da Previdência, o candidato mais forte em Fortaleza para obter o apoio do PT era o deputado Inácio Arruda, do PCdoB. No entanto, depois que ele votou contra a cobrança de contribuição previdenciária dos inativos, o PT recuou. “A votação da reforma da Previdência colocou areia neste apoio”, afirmou Genoíno, que defende punição aos rebeldes do PT.

Por enquanto, Genoíno garante que não há interesse em alianças com o PSDB e com o PFL, que são considerados “alternativas de poder” ao PT. “Temos de jogar o jogo bem jogado. Não podemos cair na esparrela do PSDB de nacionalizar a eleição. Até porque ela não é nacional; a população quer soluções para os problemas locais”, disse Genoíno, observando que os candidatos do PT ou aliados terão de fazer um discurso firme em defesa do governo Lula.

O presidente do PT disse que a partir da eleição de 2002, em que Lula foi eleito, o PT alcançou um nível de campanha eleitoral alto, em contraste com o que acontecera nas campanhas anteriores. Isso foi resultado do contrato com o publicitário Duda Mendonça, que também foi convidado a falar aos candidatos petistas às eleições municipais. Isso não quer dizer, segundo ele, que a campanha municipal do PT será uniforme, a partir das orientações de Duda Mendonça, mas um ou outro ponto deverá ser comum a todas as campanhas – como a defesa do governo Lula.

“Se o PT ganhar, ganhará o candidato; se perder, a derrota será do governo”, interpretou Genoíno, reconhecendo, no entanto, que por mais que o partido tente tratar apenas das questões locais na disputa municipal, é certo que nas grandes cidades haverá a “nacionalização” da disputa. Um caso é São Paulo.

Genoíno disse que o PT deve crescer também em cidades do interior e, por isso, o partido está preparando uma espécie de cartilha com experiências que foram bem-sucedidas em administrações petistas para que possam integrar a proposta de campanha dos candidatos.