São Paulo – A determinação do governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), de fazer “um grande governo” será o “adversário real” que o PT terá de enfrentar, e não o “discurso sem fôlego” dos “fanfarrões tucanos” que atacam a prefeita da capital paulista, Marta Suplicy (PT), na Câmara Municipal, avaliou ontem o presidente estadual do partido no Estado, Paulo Frateschi. Para Frateschi, existem “dois movimentos claros” na disputa entre PSDB e PT no Estado. “De um lado, esta fanfarronice dos tucanos na Câmara e a fanfarronice da turma do José Aníbal (ex-deputado do PSDB de São Paulo), que agride e acusa o PT. De outro, a disposição do Alckmin e das correntes ligadas a ele de fazer um grande governo”, afirmou.

O presidente estadual do PT de São Paulo acredita que o governador tentará disputar com o governo federal, até nas regiões do Estado hoje governadas pelo PT, a execução de políticas mais eficientes. “O PSDB cresceu muito no interior, mas perdeu espaço nos grandes centros, que são exatamente as regiões que nós governamos e onde pesam as decisões políticas no Estado. Eles querem reconquistar esse espaço e precisam fazer um ótimo governo”, disse. O que Frateschi chama de “embate real” entre os dois partidos será travado no campo das políticas de governo.

“Ele (Alckmin) tentará disputar o tipo e o caráter do governo, a forma de governar, o tipo de obras. Quem ganhará com isso é a população, é claro, mas nós precisamos qualificar a oposição ao Alckmin, disputar projetos, mostrar o perfil de centro indo para a direita”, antecipou. Para Frateschi, o PT cometerá “um grande erro” se achar que a oposição que terá de enfrentar no Estado é a da “turma da Câmara e do José Aníbal”.

“Eles criticam o imposto progressivo, mas isso é uma coisa que nós aprendemos exatamente com os tucanos. Não com essa turma da Câmara Municipal, é claro, mas com os tucanos que vieram do exterior e tinham uma política social-democrata; essa proposta era defendida pelo José Serra (ex-senador do PSDB de São Paulo), pelo Paulo Renato (Souza, ex-ministro da Educação)” lembrou. “Então, esse discurso é vazio e, neste caso, o que valerá é se a Marta fizer um bom governo.”